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Ações dos EUA no Irã expõem enfraquecimento do bloco ocidental, avalia especialista

Para o analista italiano Tiberio Graziani, decisões unilaterais dos EUA evidenciam uma nova fase de redistribuição do poder global e abalam alianças históricas.

Por Sputnik Brasil 17/03/2026
Ações dos EUA no Irã expõem enfraquecimento do bloco ocidental, avalia especialista
Ações militares dos EUA no Irã evidenciam crise e enfraquecimento do bloco ocidental, aponta analista. - Foto: © AP Photo / Alex Brandon

A postura política da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, ao não comunicar aliados ocidentais sobre um possível ataque ao Irã, revela a fragmentação da ordem mundial construída após a Segunda Guerra Mundial, conforme análise de Tiberio Graziani, especialista italiano, à Sputnik.

Graziani ressalta que essa atitude dos EUA pode ser interpretada como uma resposta ao início de uma fase de redistribuição do poder em escala global.

“A posição da administração Trump pode ser interpretada como parte de um processo mais amplo de desintegração da ordem internacional estabelecida pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial”, afirmou.

Segundo o analista, tal processo afeta não apenas o sistema internacional como um todo, mas também as relações internacionais do bloco ocidental, inclusive com parceiros europeus.

Nesse contexto, Graziani lembra que, ainda em seu primeiro mandato, Trump já questionava os fundamentos multilaterais da ordem internacional liberal, fortalecendo a lógica do poder nacional e da competição entre Estados.

O especialista conclui que essa estratégia reflete uma percepção crescente, entre setores estratégicos dos EUA, de que o mundo caminha para uma redistribuição do poder global, tornando a hegemonia americana menos sólida do que no passado.

Recentemente, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou no parlamento que as ameaças globais estão se tornando cada vez mais graves, e que ações unilaterais, fora do direito internacional, estão se multiplicando. Ela associou a operação dos EUA e de Israel contra o Irã nesse contexto.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, também destacou que a aliança com os Estados Unidos não implica concordância automática com todas as decisões de Washington.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, incluindo a capital Teerã, resultando em mortes de civis. Em resposta, o Irã retaliou com ataques ao território israelense e às bases militares americanas no Oriente Médio.