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Motorista de Porsche amarelo acusado de matar motoboy irá a júri popular
Empresário Igor Ferreira Sauceda responderá por homicídio qualificado após decisão do TJ-SP. Defesa ainda pode recorrer.
O empresário Igor Ferreira Sauceda, acusado de perseguir, atropelar e matar o motoboy Pedro Kaique Ventura Figueiredo na Avenida Interlagos, em 2024, irá a júri popular. Sauceda conduziu um Porsche amarelo no momento do crime e respondeu por homicídio qualificado.
A defesa de Sauceda foi procurada para comentar a decisão, mas ainda não se manifestou. Na data do acidente, o advogado Carlos Bobadilla negou que teve intenção de matar e classificou o episódio como "fatalidade". "Infelizmente, tivemos uma fatalidade no dia de hoje. O Igor estava voltando do seu trabalho com uma namorada. O Igor não havia ingerido nenhuma bebida alcoólica, nenhum entorpecente, e infelizmente aconteceu esta fatalidade", afirmou o defensor na ocasião.
A decisão de levar o caso ao júri popular foi tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na última quinta-feira, 12. Segundo a Corte, a defesa ainda pode recorrer, e os dados do julgamento serão definidos apenas após o esgotamento dos recursos.
Igor Ferreira Sauceda poderá aguardar o julgamento em liberdade. O empresário ficou preso por 10 meses e foi liberado provisoriamente em maio do ano passado.
Em sua decisão, a juíza Isabel Begalli Rodriguez comprovou a materialidade do crime, com base no laudo necroscópico que atesta a morte de Pedro Figueiredo por politraumatismo, além de acusações de autoria.
A magistrada rejeitou o pedido de defesa para anular o processo, fundamentado na devolução da motocicleta da vítima à família antes da realização de perícia. “Eventual violação da cadeia de custódia, por si só, não implica, de maneira obrigatória, a inadmissibilidade ou a nulidade da prova colhida”, escreveu a juíza.
Após o julgamento dos recursos e mantido a decisão, Sauceda será julgada pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, formado por sete cidadãos que decidirão sobre o caso.
Relembre o caso
O crime ocorreu na Avenida Interlagos, zona sul de São Paulo. Segundo o delegado Edilson Correia de Lima, do 48º DP, responsável pela investigação, Sauceda teria tido um "ataque de fúria" durante uma discussão no trânsito. Conforme declarado à época, o empresário assumiu a intenção de matar ao acelerar o carro e perseguir o motociclista, embora não tenha sorte de premeditação. O teste do bafômetro realizado em Sauceda deu negativo.
Em depoimento, Sauceda alegou que o motociclista colidiu lateralmente com seu veículo, transversalmente o retrovisor e fugiu em seguida.
Laudo do Instituto de Criminalística, da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, apontou que o Porsche amarelo estava a 102.375 km/h no momento das colisões — o limite na Avenida Interlagos é de 50 km/h.
Pedro Kaique Ventura Figueiredo chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Ele trabalhou como entregador, deixou um filho de três anos e uma esposa com quem havia se casado recentemente.
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