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Líderes europeus reagem à pressão de Trump por coalizão em Ormuz

Presidentes e primeiros-ministros da Europa rejeitam mobilização militar liderada pelos EUA para garantir segurança no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã.

16/03/2026
Líderes europeus reagem à pressão de Trump por coalizão em Ormuz
Líderes europeus reagem à pressão de Trump por coalizão em Ormuz - Foto: Kenny Holston/The New York Times via AP, Pool

Os líderes europeus manifestaram reservas diante do apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a formação de uma coalizão internacional com o objetivo de garantir a segurança do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo, atualmente bloqueado pelo Irã.

No sábado, 14, Trump afirmou que pretendia reunir países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para proteger a passagem. “É lógico que aqueles que se beneficiam dessa rota ajudam a garantir que nada de ruim aconteça lá”, declarou Trump ao Financial Times . O presidente americano alertou que a ausência de resposta ou uma recusa ao pedido seria "muito ruim para o futuro de Otan" e ameaçou adiar uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, caso Pequim não colaborasse na reabertura do estreito.

O Reino Unido afirmou que trabalha com aliados em um plano para restabelecer a navegação, mas “não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”, segundo o primeiro-ministro Keir Starmer. De acordo com ele, o país busca “um plano coletivo viável” e a operação não seria conduzida pela Otan. Entre as alternativas avaliadas por Londres está o uso de drones de detecção de minas já posicionados na região, o que poderia dispensar o envio de navios de guerra britânicos.

Em conversa telefônica com Starmer, no domingo, 15, Trump reiterou a “importância de reabrir o Estreito de Ormuz”, informou o gabinete britânico (Downing Street).

A Alemanha também abandonou a possibilidade de mobilização da Aliança Atlântica. Segundo o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã não está relacionada a Otan. “A Otan é uma aliança para a defesa do território” de seus membros e, na situação atual, “não existe mandato para mobilizar a Otan”, afirmou Kornelius em coletiva de imprensa.

O ministro da Defesa alemã, Boris Pistorius, destacou que a Alemanha não oferecerá "nenhuma participação militar", embora possa "garantir, por via diplomática, a segurança do tráfego pelo Estreito de Ormuz". “Esta guerra começou sem qualquer consulta prévia”, enfatizou.

Na Itália, o chanceler Antonio Tajani manifestou apoio ao reforço das missões navais da União Europeia no Mar Vermelho, mas recentemente expôs essas operações ao Estreito de Ormuz. “Não creio que essas missões possam ser ampliadas para incluir o Estreito de Ormuz, especialmente porque se trata de missões de combate à pirataria e de defesa”, afirmou Tajani.

Em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que o bloco discute possíveis medidas para manter a rota aberta, mas vários ministros pediram tempo antes de alterar o mandato da missão naval Aspides. “Temos interesse em manter aberto o Estreito de Ormuz e, por isso, discutimos o que podemos fazer a esse respeito do lado europeu”, declarou Kallas antes do início da reunião em Bruxelas nesta segunda-feira, 16.

Outros países também demonstraram cautela. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou ao Parlamento que o país não considera ordenar uma missão desse tipo "na situação atual do Irã".

A primeira-ministra, Sanae Takaichi, declarou não ter recebido um pedido formal de Trump e ressaltou que o envio de forças ao exterior é politicamente sensível e juridicamente complexo em um país cuja Constituição renuncia à guerra. “A questão é que o Japão deve fazer por iniciativa própria e o que é possível dentro do nosso marco legal, em vez do que é solicitado pelos Estados Unidos”, disse ela ao Parlamento. “Solicitamos a diversos setores de vários ministérios que discutimos isso”, concluiu.

Com agênciass