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Europa exporta software de reconhecimento facial para escolas brasileiras apesar de proibição na UE
Sistemas proibidos na União Europeia são utilizados em escolas do Paraná para controle de presença, levantando preocupações sobre privacidade e erros em registros.
Empresas europeias estão exportando sistemas de reconhecimento facial para o Brasil, onde são utilizados para vigilância em escolas, mesmo sendo proibidos por lei na União Europeia (UE), conforme reportagem do portal Núcleo Jornalismo.
De acordo com a publicação, essas tecnologias altamente invasivas são comercializadas por companhias europeias e implementadas em instituições de ensino brasileiras.
O sistema consiste em um aplicativo que fotografa os estudantes e utiliza reconhecimento facial para registrar automaticamente a presença dos alunos.
"Esse software de reconhecimento facial foi projetado para identificar quase um milhão de crianças no Paraná todos os dias. Desde 2023, a tecnologia foi implantada em mais de 1.700 escolas do estado, substituindo a tradicional chamada por um sistema automatizado de identificação feito em poucos instantes", detalha o artigo.
A reportagem destaca que o sistema frequentemente comete erros, gerando registros incorretos de faltas que, ao menos inicialmente, permanecem até serem corrigidos manualmente.
Essas ausências indevidas podem impactar o cumprimento das exigências de frequência escolar, uma vez que o acesso de famílias a benefícios sociais, como o Bolsa Família, depende dessa frequência.
No entanto, segundo o portal, não há casos confirmados de suspensão direta de pagamentos por esse motivo.
Na Europa, sistemas semelhantes voltados a crianças já foram considerados excessivamente intrusivos e desproporcionais, em parte pela ausência de consentimento livre em um contexto de desequilíbrio de poder entre alunos e instituições.
Enquanto o uso dessas tecnologias é fortemente regulado dentro da UE, há pouca restrição sobre sua exportação para outros países, permitindo uma espécie de arbitragem regulatória.
No Brasil, apesar de a legislação de proteção de dados ser teoricamente semelhante à europeia, a fiscalização deficiente facilita a captura em massa de dados biométricos de centenas de milhares de crianças diariamente.
A reportagem conclui que disputas judiciais sobre essas práticas ainda estão em andamento. Enquanto isso, os sistemas, mesmo diante de críticas quanto à imprecisão e à baixa eficiência, continuam a se expandir para outros estados e até a ser testados no exterior.
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