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EUA não previram bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã ao planejar ataque, diz mídia

Confiança dos EUA de que bloqueio prejudicaria mais o Irã influenciou estratégia, aponta CNN. Republicanos veem riscos políticos para Trump.

Por Sputnik Brasil 13/03/2026
EUA não previram bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã ao planejar ataque, diz mídia
Navios enfrentam bloqueio no estreito de Ormuz após escalada entre EUA e Irã, segundo reportagem da CNN. - Foto: © Foto / Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC

A administração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não considerou a possibilidade de o Irã bloquear o estreito de Ormuz ao planejar ações agressivas contra o país persa, segundo informações divulgadas pela CNN.

De acordo com a agência, autoridades norte-americanas acreditavam que tal bloqueio seria mais danoso para Teerã do que para Washington, uma percepção reforçada pelas ameaças consideradas "vazias" feitas pelo Irã após ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas.

"Altos funcionários de Trump reconheceram a legisladores, em reuniões confidenciais recentes, que não haviam considerado a possibilidade de o Irã fechar o estreito em resposta aos ataques", destaca a reportagem.

Fontes ouvidas pela CNN afirmam que o planejamento do governo dos EUA baseou-se na convicção de que o fechamento do estreito de Ormuz prejudicaria mais o Irã, devido à dependência do país pela rota para exportação de petróleo.

Além disso, a matéria ressalta que a ampla oferta global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), juntamente com a produção recorde dos EUA e o aumento previsto da produção venezuelana, fizeram com que o risco de bloqueio do estreito fosse minimizado por Washington.

O texto também aponta que as principais ameaças aos navios que transitam pelo estreito são drones e mísseis iranianos, além de minas marítimas.

No cenário político, vozes do Partido Republicano avaliam que a ofensiva contra o Irã pode ter enfraquecido a posição de Trump, especialmente diante das eleições intermediárias que se aproximam nos Estados Unidos.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no Irã, incluindo a capital Teerã. Em resposta, o Irã passou a retaliar tanto contra instalações militares norte-americanas no Oriente Médio quanto contra território israelense.

Com a escalada do conflito, o transporte marítimo pelo estratégico estreito de Ormuz — rota essencial para o escoamento de petróleo e GNL dos países do Golfo Pérsico — sofreu forte redução.

Em sua primeira mensagem oficial, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, defendeu a continuidade do bloqueio do estreito, destacando a importância da medida como instrumento de pressão no confronto com Estados Unidos e Israel.