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UTI de hospital em Campinas é fechada após detecção de superbactéria em sete pacientes

Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Mário Gatti suspende atendimentos para conter surto de bactéria multirresistente.

12/03/2026
UTI de hospital em Campinas é fechada após detecção de superbactéria em sete pacientes
- Foto: Reprodução / freepik

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, está temporariamente fechada desde terça-feira, 10, após sete pacientes testarem positivo para infecção pela bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), conhecida por sua alta resistência a bactérias.

Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que uma medida foi tomada com base em critérios técnicos, fortalecendo o controle epidemiológico e a segurança dos pacientes.

Os pacientes infectados permanecem isolados em uma ala da UTI, sob cuidados de uma equipe exclusiva. Os demais pacientes estão sendo transferidos para leitos de complexidade semelhantes em outros hospitais da região.

“Novos pacientes que necessitarem de UTI serão encaminhados para o Hospital Ouro Verde ou para outras unidades, por meio da central de regulação municipal. A central e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já foram orientados a não direcionar pacientes com necessidade de UTI para o Mário Gatti”, diz o comunicado.

A administração ressalta que situações como essas podem ocorrer em ambientes hospitalares de alta complexidade e que o cenário está sendo acompanhado de forma contínua pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.

Para conter o surto, estão sendo intensificadas ações como a limpeza rigorosa dos leitos, reforço na higienização das mãos e treinamentos específicos para as equipes de higiene e limpeza.

Além disso, um plano de contingência foi traçado ao Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) na segunda-feira, 9, e as medidas serão mantidas até a estabilização do quadro assistencial.

Entenda uma superbactéria

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Klebsiella pneumoniae é uma bactéria presente no ambiente, em dispositivos médicos e também nas mucosas de mamíferos, incluindo humanos, onde coloniza a nasofaringe e o trato gastrointestinal.

Considerado um patógeno oportunista, a K. pneumoniae é responsável por 20 a 30% dos casos de pneumonia hospitalar e afeta principalmente pacientes internados ou imunocomprometidos.

Nas últimas décadas, variantes da bactéria desenvolveram resistência a diversas bactérias, tornando-se conhecidas como "superbactérias".

Existem dois principais mecanismos de resistência: a produção de enzimas chamadas ß-lactamases de espectro estendido (ESBL), que conferem resistência a penicilinas, cefalosporinas e monobactâmicos; e a produção de carbapenemases, que tornam as bactérias resistentes também aos carbapenêmicos, ampliando o desafio no tratamento dessas infecções.