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Justiça determina investigação de morte de policial militar como feminicídio em SP
Caso de Gisele Alves Santana, inicialmente tratado como suicídio, passa a ser apurado como feminicídio após indícios de violência e decisão judicial.
Alerta: O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você enfrenta ou conhece alguém nessa situação, ligue 180 e denuncie.
A Justiça de São Paulo determinou, nesta terça-feira (10), que a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, seja investigada como feminicídio. Gisele foi encontrada morta em casa, com um tiro na cabeça, em um apartamento no Brás, região central de São Paulo.
Segundo relato do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, Gisele teria tirado a própria vida no dia 18 de fevereiro, momentos após uma discussão em que ele sugeriu a separação do casal. De acordo com o policial, ele estava no banho quando ouviu o disparo e, ao sair, encontrou a esposa baleada no chão.
Inicialmente, a morte foi registrada como suicídio. No entanto, a classificação mudou após familiares de Gisele denunciarem que ela sofria abusos e violência por parte do marido. Diante dessas alegações, o caso passou a ser tratado como morte suspeita.
Agora, a juíza Giovanna Christina Colares decidiu que o caso seja redistribuído para uma Vara do Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida, atendendo a um pedido baseado na natureza do delito investigado.
Na última sexta-feira (6), a Justiça determinou a exumação do corpo de Gisele. Segundo laudo obtido pelo Estadão, peritos constataram lesões na face e na região cervical da vítima, incluindo marcas de pressão digital e escoriações compatíveis com estigma ungueal (causadas por unhas). O documento também aponta ausência de lesões típicas de defesa.
Procurada para comentar as informações, a defesa de Geraldo Neto afirmou que ainda não teve acesso ao laudo. Em comunicados anteriores, os advogados disseram que o tenente-coronel "não figura como investigado, suspeito ou indiciado no procedimento em curso" e que, desde o início das apurações, ele "tem colaborado com as autoridades".
No laudo necroscópico realizado em 19 de fevereiro, um dia após a morte, já haviam sido identificadas lesões no pescoço de Gisele, mas sem a menção de marcas contundentes. Na ocasião, os peritos apenas descreveram as lesões encontradas.
Com base nas novas informações, fontes da Polícia Civil ouvidas pela reportagem avaliam que cresce a possibilidade de o caso ser tratado como feminicídio, como já defende a família de Gisele. Também há expectativa de que seja solicitado o pedido de prisão de Geraldo Neto.
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