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Stone demite 3% do quadro e reduz vagas em tecnologia

Cortes atingem entre 300 e 400 funcionários, principalmente do setor de tecnologia; sindicato repudia decisão e promete recorrer à Justiça.

11/03/2026
Stone demite 3% do quadro e reduz vagas em tecnologia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Stone realizou uma rodada de demissões que atingiu cerca de 3% de sua força de trabalho, com foco no setor de tecnologia, conforme apuração do Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Fontes próximas ao processo estimam que entre 300 e 400 colaboradores foram desligados da fintech, que mantém aproximadamente 14 mil funcionários.

O CEO Mateus Scherer, que assumiu o comando da empresa no início deste mês, comunicou os cortes internamente por meio de mensagem aos funcionários.

Segundo relatos de profissionais, a redução do quadro foi apresentada como parte de uma reestruturação voltada à busca por maior eficiência operacional.

Fontes ligadas à empresa afirmam que o avanço das iniciativas em inteligência artificial também influenciou a decisão, segundo informações de uma pessoa envolvida no processo, que preferiu não se identificar.

Em nota, a Stone informou ter promovido um "ajuste pontual" em sua estrutura, como parte de um processo contínuo de simplificação e ganhos de eficiência. Segundo a empresa, as operações seguem normalmente, sem impactos para clientes ou parceiros.

O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD-SP) repudiou publicamente as demissões em massa. A entidade destacou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que desligamentos coletivos devem ser precedidos de negociação com o sindicato da categoria. "Ao ignorar esse princípio e realizar cortes em massa durante o período de negociação do acordo coletivo, a Stone afronta não apenas os trabalhadores atingidos, mas também o próprio sistema de relações de trabalho previsto na Constituição", afirmou o sindicato.

O SINDPD-SP informou ainda que acionará a Justiça do Trabalho e solicitará a reintegração dos funcionários dispensados, alegando "evidente prática antissindical".

Sob pressão

Na semana passada, as ações da Stone chegaram a cair quase 20% nas mínimas do pregão, após a divulgação do balanço do quarto trimestre.

A empresa registrou desaceleração no valor transacionado (TPV), que cresceu 5,3% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 151 bilhões. O crescimento ficou abaixo dos quase 9% observados no trimestre anterior, reflexo de um cenário macroeconômico considerado "desafiador" e de dificuldades internas, como problemas na integração de novos clientes.

Investidores também aguardavam maior clareza sobre a distribuição dos recursos provenientes da venda da Linx para a Totvs, concluída no fim de fevereiro. A Stone arrecadou R$ 3,08 bilhões com a operação, mas informou que só decidirá em abril se os valores serão repassados aos acionistas por meio de dividendos ou recompra de ações.