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Caso "Coxinha Envenenada": Ex-marido vai a julgamento por morte de professora em Alagoas
Felippe Silva Cirino senta no banco dos réus nesta quarta-feira (11); crime ocorrido em São Brás chocou o estado pela crueldade e indícios de feminicídio
Teve início na manhã desta quarta-feira (11), na Comarca de Porto Real do Colégio, o julgamento de Felippe Silva Cirino, acusado de assassinar a ex-esposa, a professora Joyce dos Santos Silva Cirino, de 36 anos. O crime, ocorrido em outubro de 2024 no município de São Brás, interior de Alagoas, ganhou contornos dramáticos após as investigações apontarem que a vítima foi morta por envenenamento ao ingerir uma coxinha oferecida pelo réu.
O processo tramita sob segredo de Justiça, o que restringe o acesso ao plenário apenas às partes envolvidas, advogados e familiares próximos. O Tribunal do Júri decidirá o destino de Felippe, que responde por crime doloso contra a vida com as qualificadoras que podem agravar a pena.
Um rastro de medo e mensagens de socorro
Relatos de familiares pintam um cenário de terror psicológico que antecedeu a morte de Joyce. Segundo parentes, a professora vivia um relacionamento abusivo marcado por violência doméstica e traições. Recentemente, ela havia decidido pela separação, o que teria motivado a fúria do acusado.
Antes do desfecho fatal, Joyce já suspeitava que estava sendo alvo de tentativas de homicídio. Mensagens e áudios enviados por ela a amigos e primos revelavam o medo constante. "Em uma das vezes, ele levou açaí para ela e percebemos que havia pequenos pedaços de veneno", relatou uma prima da vítima.
O dia do crime: O livramento do filho
No dia da tragédia, Felippe teria ido à residência onde Joyce estava com o filho do casal carregando um lanche. O alimento — uma coxinha — foi oferecido a ambos. Por um detalhe do destino, a criança recusou o salgado, preferindo uma sopa preparada pela mãe. Joyce, no entanto, ingeriu o alimento e começou a passar mal imediatamente.
As investigações da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) foram reforçadas por exames da Polícia Científica (POLC/AL), que confirmaram a presença de praguicidas — substâncias altamente tóxicas — nos restos do alimento consumido.
Sumiço de provas e prisão
Um ponto crucial para o indiciamento foi o trabalho de inteligência sobre a cena do crime. A irmã da professora fotografou a embalagem do salgado e restos de comida espalhados pelo chão logo após o socorro hospitalar.
"Quando os peritos chegaram à casa, os itens que apareciam nas fotos haviam sumido", afirmou o delegado Rômulo Andrade.
A tentativa de ocultar as provas reforçou a linha de investigação contra Felippe, que acabou localizado e preso na casa de uma tia.
Clamor por Justiça
Para a família, o julgamento de hoje encerra um ciclo de dor e espera. Joyce é descrita como uma mulher que sofreu todas as formas de violência previstas na Lei Maria da Penha até o último suspiro. "O que pedimos é que a lei seja aplicada e que a justiça seja feita", desabafou a prima da professora.
A expectativa é que a sentença seja proferida ainda no final do dia, definindo a responsabilidade de Felippe Silva Cirino diante da sociedade alagoana.
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