Geral
Fluxo global de armas cresce quase 10% impulsionado pela demanda europeia, aponta Sipri
Europa triplica importações e se torna maior destino de armamentos; exportações dos EUA para o continente disparam
O volume de armamentos transferidos internacionalmente aumentou 9,2% entre os períodos de 2016-2020 e 2021-2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri). O destaque fica para os países europeus, que mais que triplicaram suas importações de armas e passaram a liderar como maior região receptora do mundo.
Segundo o levantamento, a Europa respondeu por 33% das importações globais de armamentos, registrando um salto de 210% nesse tipo de transação entre os dois períodos analisados. Após a Ucrânia, Polônia e Reino Unido figuram como principais importadores europeus nos últimos cinco anos. Quase metade dos armamentos adquiridos pela Europa teve origem nos Estados Unidos (48%), seguidos por Alemanha (7,1%) e França (6,2%).
A percepção de ameaça vinda da Rússia, intensificada pelas dúvidas sobre o compromisso dos EUA em defender seus aliados europeus, foi apontada como principal fator para o aumento da demanda entre os membros europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). As importações conjuntas dos 29 atuais integrantes europeus da Otan cresceram 143% no período.
As exportações totais dos Estados Unidos, maior fornecedor global de armas, subiram 27%. O destaque vai para o aumento de 217% nas exportações norte-americanas para a Europa. Pela primeira vez em duas décadas, a maior parte das exportações de armas dos EUA teve como destino a Europa (38%), superando o Oriente Médio (33%).
O relatório atribui o crescimento principalmente ao volume de transferências para a Ucrânia, que concentrou 9,7% de todas as transferências de armas entre 2021 e 2025, além de outros países europeus. Em contrapartida, as importações de armamentos caíram em todas as demais regiões do mundo, exceto Europa e Américas.
“As entregas para a Ucrânia desde 2022 são o fator mais evidente, mas a maioria dos outros países europeus também passou a importar significativamente mais armas para reforçar suas capacidades militares diante da ameaça crescente percebida da Rússia”, afirmou Mathew George, diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri.
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