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Pressão sobre petróleo afeta economia, mas Brasil não corre risco de desabastecimento, diz FUP

Especialistas apontam que, apesar do aumento dos preços do petróleo, autossuficiência e política da Petrobras afastam ameaça de falta de combustíveis.

10/03/2026
Pressão sobre petróleo afeta economia, mas Brasil não corre risco de desabastecimento, diz FUP
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A escalada do esforço no Golfo Pérsico, com ameaça de interrupção do Estreito de Ormuz, pressionou o preço do barril de petróleo e acendeu o alerta para possíveis impactos na economia brasileira. Os especialistas, no entanto, descartaram o risco de desabastecimento de combustíveis no curto ou médio prazo , segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, ressalta que o Brasil é autossuficiente em petróleo cru e atualmente exporta excedentes. O principal impacto tende a ser sentido no bolso do consumidor, já que o país ainda importa obrigações, especialmente o diesel, o que pode provocar um repique nos preços, mesmo com a política de "abrasileiramento" de valores pela Petrobras.

Desde 2023, a estatal deixou de seguir a política de paridade de importação (PPI), o que permite amortecer oscilações externas. Ainda assim, Bacelar defende a necessidade de acelerar a autossuficiência em refino e investir em combustíveis sustentáveis, principalmente após a venda da BR Distribuidora e da Liquigás. Segundo ele, a alta do barril também gera entrada extra de dólares e amplia o superávit comercial.

Para Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a crise reforça a importância de expandir a produção interna de insumos estratégicos. O Brasil ainda depende de importações de diesel, querosene de aviação, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e fertilizantes — estes últimos com 85% de dependência externa.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam produção média de 4 milhões de barris diários, frente a um consumo de 2,6 milhões. Essa margem garante uma "folga de segurança", avaliada pelo economista Cloviomar Cararine, do Dieese/FUP. No entanto, os 600 mil barris de receitas importados diariamente, metade deles de gasóleo, ainda podem impulsionar a inflação.

Cararine observa que os conflitos costumam redesenhar rotas comerciais e podem abrir espaço para o petróleo brasileiro na Ásia. O desafio, segundo ele, é proteger o consumidor interno de choques internacionais enquanto o país avança na capacidade de refino e na transição energética.