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Guerra no Irã impacta preço do petróleo e divide expectativas sobre juros no Brasil

Conflito no Oriente Médio pressiona inflação e gera incertezas quanto ao ritmo de cortes da Selic, segundo analistas.

10/03/2026
Guerra no Irã impacta preço do petróleo e divide expectativas sobre juros no Brasil
Conflito no Irã faz petróleo disparar, pressiona inflação e gera incertezas sobre juros no Brasil. - Foto: © Foto / Tânia Rêgo/Agência Brasil

A disparada do petróleo em meio à guerra no Irã reacendeu temores inflacionários no Brasil e aumentou as dúvidas sobre o ritmo de cortes da Selic, dividindo economistas entre a manutenção dos juros em 15% ou a continuidade das reduções, diante do risco de pressão disseminada sobre os preços.

A intensificação do conflito no Oriente Médio, após bombardeios dos EUA e de Israel ao Irã, passou a influenciar diretamente as projeções econômicas para o Brasil, sobretudo devido à forte alta do petróleo.

O risco de gargalos no fluxo global do petróleo ficou evidente com a volatilidade dos preços: o barril atingiu quase US$ 120 (R$ 632,54) antes de recuar para abaixo de US$ 90 (R$ 474,40), após declarações de Donald Trump sobre um possível fim das hostilidades. Ainda assim, especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo destacam que a disrupção já é a maior da história recente e que os impactos dependerão da duração da guerra.

Os efeitos já se fazem sentir na economia global. Passagens aéreas encareceram, distribuidoras brasileiras começaram a repassar custos e a gasolina — principal canal de transmissão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — voltou ao centro das atenções. Como o combustível representa mais de 5% do orçamento das famílias, cada alta de 1% na gasolina adiciona 0,05 ponto percentual à inflação.

Economistas alertam que o maior risco está na difusão do choque do petróleo, que encarece insumos agrícolas, embalagens plásticas e energia, pressionando cadeias produtivas inteiras quando o barril se mantém próximo de US$ 100 (R$ 527,11). Estudos citados por analistas apontam que um aumento de 10% no petróleo em reais, acompanhado de alta semelhante no etanol, pode elevar a inflação em até 0,4 ponto percentual.

Com o IPCA acumulado em 12 meses em 4,44% — dentro da meta, mas próximo do teto de 4,5% — o choque do petróleo reacendeu dúvidas sobre a decisão do Banco Central (BC) marcada para 18 de março. Parte dos economistas ainda prevê corte de 0,5 ponto percentual, mas cresce o grupo que defende a manutenção da Selic em 15% ou, no máximo, redução de 0,25 ponto.

Para analistas mais cautelosos, como Sergio Vale, o BC deveria aguardar para avaliar a extensão da crise e a reação da Petrobras, sobretudo porque a inflação elevada torna o choque mais perigoso.

Já outros, como Luis Felipe Vital e Adriana Dupita, avaliam que ainda há espaço para flexibilização, considerando que a Selic está em nível bastante contracionista e que choques externos não devem ser respondidos imediatamente.

O conflito também levou o mercado a revisar para cima as projeções de juros para 2026, ainda que as expectativas de inflação tenham permanecido estáveis. A percepção de que cortes mais agressivos poderiam ocorrer no próximo ano perdeu força após a divulgação de um IPCA-15 acima do esperado e o agravamento da crise no Oriente Médio.

Apesar das incertezas, o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tende a ser neutro. A alta do petróleo beneficia petroleiras nacionais, e mercados emergentes costumam atrair recursos em momentos de turbulência global. As projeções do Focus indicam crescimento de 1,82% em 2026, enquanto o Ministério da Fazenda trabalha com estimativa mais otimista, de 2,3%.

Por Sputnik Brasil