Geral

'Se pagarem o que o trabalhador quer, a mão de obra aparece', afirma presidente do Simpi

Joseph Couri, líder do Sindicato da Micro e Pequena Indústria de SP, analisa impactos da redução da jornada e defende salários mais atrativos para reter trabalhadores.

06/03/2026
'Se pagarem o que o trabalhador quer, a mão de obra aparece', afirma presidente do Simpi
Joseph Couri - Foto: Reprodução YouTube

O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, foi enfático ao comentar sobre os possíveis efeitos do fim da jornada 6 por 1 na escassez de mão de obra no mercado de trabalho, que já se mostra aquecido: "Se pagarem o que o trabalhador quer, a mão de obra aparece."

No centro do debate sobre a redução da jornada de trabalho, surgem preocupações quanto à dificuldade de setores que não podem interromper suas atividades nos fins de semana e precisarão contratar os chamados "folguistas". Apesar disso, Couri não vê esse como o principal entrave. Segundo ele, a mão de obra existe, mas está migrando para aplicativos, que oferecem remuneração superior à das empresas tradicionais.

Para atrair esses profissionais, empresas menores, com maior dependência de mão de obra e menor capacidade de automação, terão que elevar salários — o que representa aumento de custos. Couri defende que, diante desse cenário, será necessário algum tipo de contrapartida tributária para esses negócios.

"Que a mudança será aprovada, eu não tenho dúvida. Até porque é uma tendência mundial. Mas o maior impacto será sobre os pequenos negócios, que não conseguem repassar aumentos de custos. Se não houver contrapartida, as empresas serão empurradas para a informalidade", afirmou, reforçando que, para trazer trabalhadores para a formalidade, hoje é preciso oferecer salários mais competitivos.

Outro ponto de preocupação destacado por Couri é o desencontro entre as propostas do Executivo e do Legislativo. Enquanto o Executivo sugere a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, parte do Parlamento defende a diminuição para 36 horas.