Geral
Inspeção do Ministério Público flagra cenário crítico no Centro Médico da PM em Maceió
Vistoria aponta estrutura precária, déficit de 51 médicos e indícios de desvio de função em unidade que atende a tropa na Pajuçara
Uma inspeção realizada pela Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Alagoas (MPAL), na última terça-feira (3), revelou um quadro alarmante na assistência à saúde dos policiais militares do estado. O Centro Médico da Polícia Militar, que funciona atualmente em um prédio alugado no bairro da Pajuçara, apresenta falhas estruturais graves e uma carência acentuada de profissionais especializados.
Estrutura inadequada e abandono
Coordenada pela promotora Karla Padilha, a vistoria identificou que o imóvel atual possui espaços reduzidos e problemas de saneamento, com forte odor proveniente das tubulações. O cenário contrasta com o histórico da corporação: o antigo hospital próprio, inaugurado em 1933 ao lado do Quartel do Comando-Geral, está de portas fechadas há seis anos, sem qualquer previsão de reforma, apesar de levantamentos técnicos já realizados.
Crise na Saúde Mental
Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo MPAL é o déficit de pessoal. Atualmente, faltam 51 médicos para compor o quadro ideal da corporação. A situação é ainda mais grave na área de psiquiatria, onde apenas um profissional atende toda a demanda.
A carência de atendimento especializado levanta alertas sobre a saúde da tropa. Dados citados pelo órgão revelam que, em um intervalo de apenas seis meses no ano de 2020, 670 militares foram afastados, sendo que quase metade (305 casos) foi motivada por transtornos mentais e comportamentais.
Suspeita de irregularidades e gestão arcaica
A inspeção também levantou uma possível irregularidade administrativa envolvendo uma psicóloga aprovada no concurso de 2026. Segundo o MPAL, a profissional estaria atuando como médica com o aval da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), configuração que pode caracterizar desvio de função.
No campo da gestão de dados, a promotoria constatou que a unidade ainda opera com prontuários físicos. A falta de digitalização dos documentos foi apontada como um risco à segurança e ao sigilo das informações dos pacientes.
"As irregularidades serão detalhadas em relatório e encaminhadas aos órgãos competentes. Cobraremos providências imediatas para garantir condições dignas de atendimento aos policiais", afirmou a promotora Karla Padilha.
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