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Do anticoncepcional à menopausa: como os hormônios femininos também influenciam a visão

No Dia Internacional da Mulher, especialista explica por que alterações do organismo podem afetar a saúde ocular ao longo da vida

06/03/2026
Do anticoncepcional à menopausa: como os hormônios femininos também influenciam a visão
Do anticoncepcional à menopausa: como os hormônios femininos também influenciam a visão

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o tema autocuidado volta ao centro das discussões sobre saúde. Embora muitas mulheres estejam atentas a exames ginecológicos e check-ups de rotina, a visão ainda costuma ficar em segundo plano. No entanto, especialistas alertam que as variações hormonais ao longo da vida — desde o uso de anticoncepcionais até a gravidez e a menopausa — podem provocar alterações importantes na saúde ocular e merecem acompanhamento regular.

Segundo a Dra. Alice Purri, oftalmologista do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH), os hormônios femininos influenciam diretamente o funcionamento de diversas estruturas do organismo, incluindo os olhos. “O sistema ocular também responde às mudanças hormonais. Ao longo da vida, essas oscilações podem afetar a produção de lágrimas, a curvatura da córnea e até a estabilidade do grau”, explica.

O uso de anticoncepcionais, por exemplo, pode interferir na qualidade do filme lacrimal, camada responsável por proteger e lubrificar a superfície ocular. Segundo a médica, algumas mulheres passam a apresentar sintomas de ressecamento, irritação e sensação de areia nos olhos. “Quando há alteração na composição da lágrima, a proteção natural diminui. Isso pode gerar desconforto, visão embaçada e maior sensibilidade à luz em determinados casos”, destaca.

Durante a gestação, as transformações no organismo são ainda mais intensas. O aumento de hormônios e a retenção de líquidos podem provocar pequenas mudanças na córnea, o que interfere temporariamente na qualidade visual. “Algumas pacientes percebem que o grau dos óculos parece não estar adequado ou notam flutuações na visão ao longo do dia. Por isso, sempre avaliamos com cautela a necessidade de atualizar a prescrição nesse período”, afirma.

Além dessas alterações, sintomas visuais também podem servir como alerta para complicações da gravidez. A especialista explica que quadros como a pré-eclâmpsia — caracterizada pelo aumento da pressão arterial — podem se manifestar por meio de alterações na visão. “Em algumas situações, a gestante pode apresentar turvação visual, pontos escuros no campo de visão ou flashes de luz. Esses sinais devem ser investigados rapidamente”, orienta.

Outro momento de atenção para a saúde ocular ocorre no climatério, fase de transição hormonal que antecede e sucede a menopausa. Nesse período, a redução do estrogênio pode afetar a produção lacrimal e favorecer o surgimento da síndrome do olho seco. “É comum que muitas mulheres relatem ardor, sensação de corpo estranho e necessidade frequente de usar colírios. Em alguns casos, o desconforto pode interferir até em atividades cotidianas, como leitura e uso de telas”, explica a oftalmologista.

Com o avanço da idade, também aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doenças oculares associadas ao envelhecimento, como catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade. Por isso, o acompanhamento oftalmológico periódico torna-se ainda mais importante. “Muitas dessas condições evoluem de forma silenciosa no início. Consultas regulares permitem identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento adequado”, ressalta a Dra. Alice Purri.

Neste mês dedicado às mulheres, a especialista reforça que cuidar da visão também faz parte da atenção integral à saúde. “O olhar acompanha todas as fases da vida. Estar atenta às mudanças do corpo e manter avaliações oftalmológicas periódicas são atitudes fundamentais para preservar a qualidade visual e o bem-estar ao longo do tempo”, finaliza a Dra. Alice Purri, oftalmologista do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).