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Taxas de juros têm forte alta e curva inclina com piora da percepção sobre guerra no Irã
Escalada do conflito entre Irã, Israel e EUA eleva aversão ao risco, pressiona juros futuros e impacta petróleo.
Os juros futuros intermediários e longos registraram forte alta nesta quinta-feira, 5, refletindo o aumento da aversão ao risco e a piora do cenário nos mercados internacionais.
O otimismo cauteloso que ainda predominava na quarta-feira sobre o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã deu lugar a temores de uma guerra prolongada, com potenciais impactos significativos na economia global e na oferta de petróleo. A ausência de sinais de negociação entre Washington e Teerã, a expansão dos ataques a outros países da região e a retórica agressiva de ambos os lados ampliaram a preocupação dos investidores.
Ao final do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,382% para 13,505%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,84% para 13,07%, enquanto o DI para janeiro de 2031 saltou de 13,211% para 13,47%, atingindo o maior patamar desde 19 de janeiro deste ano.
Uma nova série de ataques iranianos atingiu mais territórios do Golfo nesta quinta-feira, incluindo Catar e Emirados Árabes Unidos, no sexto dia da ofensiva. Teerã segue lançando mísseis contra Israel e bases americanas, enquanto Israel realiza ataques contra alvos ligados ao Hezbollah no Líbano.
Em entrevista à NBC News, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Teerã não pediu cessar-fogo aos EUA ou a Israel e que, no momento, não há motivo para retomar negociações com Washington. Ele também disse que o Irã não pretende fechar o estreito de Ormuz, mas admitiu que o cenário pode mudar. Mais cedo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) chegou a afirmar que a rota estava fechada a navios dos EUA, Israel e Europa, informação posteriormente negada pela missão iraniana na ONU.
A volatilidade e as informações conflitantes sobre o fluxo no estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do escoamento global de petróleo, impulsionaram os contratos futuros da commodity. O Brent para maio atingiu US$ 85,41 o barril, alta de quase 5% na sessão.
Segundo estimativas de apostadores na plataforma Polymarket, as chances de fim dos conflitos até 31 de março estão em 25%. Após o início dos ataques, no último sábado, essa probabilidade chegou a superar 60%, de acordo com dados do The Wall Street Journal.
O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, avalia que um cenário extremo ainda não está totalmente precificado, o que aumenta a deterioração dos ativos de risco a cada novo sinal de escalada do conflito. "Há risco de grandes choques de oferta. A 'vantagem' do BC é que a Selic está extremamente alta e, por isso, pode iniciar o ciclo de cortes. Mas o ritmo de redução deve ser mais cauteloso", afirma.
Enquanto o foco do mercado segue voltado para o Oriente Médio, a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua pelo IBGE passou despercebida. A taxa de desemprego ficou em 5,4% nos três meses encerrados em janeiro, em linha com as projeções do mercado.
De acordo com Cruz, no início do pregão, a alta dos juros futuros parecia responder a fatores domésticos, mas a escalada do conflito internacional prevaleceu ao longo do dia. "A expectativa é de que o foco continue no Oriente Médio até o fim da semana", observa.
Mais cedo, declarações de Nilton David, em evento do Goldman Sachs, chegaram a moderar o avanço dos juros de curto prazo. Segundo o diretor, o conflito no Oriente Médio não pode ser ignorado, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda vê espaço para iniciar o ciclo de afrouxamento do juro básico neste mês.
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