Geral

Defasagem no preço dos combustíveis pode causar rupturas de suprimento, alerta Abicom

Entidade aponta risco de desabastecimento devido à diferença entre preços da Petrobras e do mercado internacional

05/03/2026
Defasagem no preço dos combustíveis pode causar rupturas de suprimento, alerta Abicom
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) faz um alerta sobre o aumento das defasagens entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais. Segundo a entidade, esses descompassos atingiram níveis recordes justamente no momento em que o Brasil depende da importação de derivados para garantir o abastecimento nacional.

De acordo com a Abicom, a explicação é simples: as refinarias brasileiras não conseguem atender toda a demanda interna. Atualmente, cerca de 30% do óleo diesel e 10% da gasolina consumidos no país precisam ser importados. O problema é ainda mais grave em regiões distantes dos grandes polos de refino — como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul (via Paranaguá) —, onde a oferta depende de importadores ou refinarias privadas.

A mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel e de 30% de etanol anidro à gasolina faz com que os custos variem de Estado para Estado. O resultado, segundo cálculos da Abicom, é uma disparidade de até R$ 1,00 por litro no diesel e R$ 0,40 na gasolina.

Para a associação, acompanhar de perto os preços internacionais e repassá-los rapidamente ao mercado interno é fundamental para evitar rupturas de suprimento e desequilíbrios logísticos. Caso contrário, alerta a entidade, cresce o risco de desabastecimento e de maior volatilidade nos preços ao consumidor.

Dados da Abicom mostram que, no fechamento da última quarta-feira, a defasagem do diesel vendido pela Petrobras atingiu o recorde de 47% em relação ao mercado internacional, enquanto a gasolina chegou a 19%. Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 80% do mercado nacional de refino.