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Guerra de fake news: como partes do conflito no Oriente Médio usam IA na guerra de informações? (VÍDEOS)

Inteligência artificial e notícias falsas alimentam o conflito informacional entre EUA, Israel e Irã, ampliando o impacto psicológico e a desinformação nas redes.

05/03/2026
Guerra de fake news: como partes do conflito no Oriente Médio usam IA na guerra de informações? (VÍDEOS)
Vídeos e fotos gerados por IA alimentam a desinformação no conflito entre EUA, Israel e Irã. - Foto: CC0 / /

O conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã ultrapassa o campo de batalha físico e se intensifica no ambiente digital.

Ambos os lados têm recorrido ao uso intenso de gerados por inteligência artificial e materiais à divulgação de notícias falsas. Fotos e vídeos produzidos por redes neurais surgem frequentemente na internet, muitas vezes indistinguíveis da realidade para o público comum.

Essas notícias falsas exercem forte impacto informativo e psicológico, já que seus criadores investem em vídeos que simulam não apenas ações militares, mas também danificam grandes estruturas, como o Burj Khalifa, em Dubai, ou supostos ataques a grupos navais dos EUA.

Nesta segunda-feira (2), canais no Telegram começaram a divulgar vídeos de um incêndio de grandes proporções que teria destruído o Burj Khalifa, o arranha-céu mais alto do mundo, em Dubai.

As imagens do prédio em chamas foram publicadas de diferentes ângulos, tanto de dia quanto à noite. Em cada vídeo, o fogo aparecia em diferentes níveis do edifício, reforçando a ilusão de veracidade.

Os grupos envolvidos no conflito também utilizam redes neurais para simular maiores perdas ao inimigo. Circularam, por exemplo, fotos de um drone norte-americano MQ-9 Reaper experimentado abatido no Iraque, que, após verificação, revelou-se uma sofisticada falsificação criada por IA.

Entre os vídeos mais chamativos, destacam-se simulações de ataques a um grupo naval dos EUA próximo à costa do Irã. Imagens de jogos eletrônicos e vídeos gerados por IA foram divulgados como se retratassem ataques reais a navios militares.

Um dos exemplos mais caricatos foi a circulação de um vídeo em que o foguete Soyuz 2.1a atingiu um encorajamento japonês da Segunda Guerra Mundial, evidenciando o uso distorcido de imagens históricas e tecnológicas.

Na noite de 4 de março, as agências Fox News e Associated Press divulgaram relatos sobre uma suposição terrestre de curdos iraquianos contra o Irã. No entanto, as informações não vieram acompanhadas de registros visuais. Já em 5 de março, Aziz Ahmad, vice-chefe do gabinete do primeiro-ministro do Curdistão Iraquiano, desmentiu a notícia.

"Nenhum curdo iraquiano cruzou a fronteira. Isso é uma mentira descarada", afirmou Ahmad na rede social X.

Apesar da intensa disputa informativa, parte significativa dos conteúdos sobre ataques e ataques é produzida por inteligência artificial. A plataforma X anunciou que intensificará o combate à propagação de vídeos falsos relacionados ao conflito no Oriente Médio.

Por Sputnik Brasil