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Pentágono avalia que Estados Unidos gastam US$ 1 bilhão por dia na guerra contra o Irã
A guerra contra o Irã já custa aos Estados Unidos quase US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) por dia, segundo estimativas preliminares do Pentágono citadas pela revista The Atlantic nesta quarta-feira (4). O cálculo foi divulgado por um funcionário do Congresso norte-americano ouvido pela publicação.
O conflito começou no último fim de semana, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos iranianos, incluindo instalações em Teerã. Em resposta, o Irã iniciou ataques contra o território israelense e bases militares norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio, ampliando o risco de escalada regional.
De acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao menos 49 altos funcionários iranianos teriam sido mortos em decorrência dos bombardeios iniciais, incluindo o líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Já um levantamento do projeto Costs of War, da Universidade Brown, aponta que a operação militar já consumiu diretamente entre US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) e US$ 3 bilhões (R$ 15,6 bilhões) em apenas cinco dias.
Segundo os pesquisadores, somente o custo operacional contínuo das ações no Oriente Médio chega a US$ 220 milhões (R$ 1,1 bilhão) por dia.
Além disso, ações militares específicas também geraram despesas significativas. Apenas o primeiro dia de bombardeios com mísseis Tomahawk teria custado cerca de US$ 240 milhões (R$ 1,2 bilhão). Já a perda dos três primeiros caças norte-americanos abatidos representou cerca de US$ 270 milhões (R$ 1,4 bilhão), enquanto ataques realizados por forças navais custaram aproximadamente US$ 75 milhões (R$ 392 milhões).
Danos militares ainda não contabilizados
Os cálculos divulgados até agora não incluem alguns danos relevantes sofridos por equipamentos militares norte-americanos na região. Entre eles está a destruição do radar AN/FPS-132, localizado na Base Aérea de Al Udeid, no Catar. Avaliado em cerca de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões), o equipamento teria sido destruído por ataques iranianos no primeiro dia de combate.
Também não foram considerados dois radares AN/TPY-2, utilizados para controle de fogo do sistema antimísseis THAAD, destruídos nos Emirados Árabes Unidos. Cada um desses sistemas é estimado em US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões
Além dos custos militares diretos, o conflito já provoca impactos econômicos internacionais. Entre os principais efeitos identificados pelo estudo estão:
O bloqueio do estreito, um dos pontos estratégicos mais importantes do comércio energético mundial e responsável por receber pelo menos um terço do petróleo produzido no mundo, tem gerado preocupações sobre possíveis interrupções no abastecimento global.
Lula critica prioridade global ao gasto militar
Em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou mais cedo a prioridade dada por líderes globais aos gastos militares em detrimento do combate à fome.
Durante a abertura da reunião ministerial da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada em Brasília, Lula afirmou que os recursos destinados a armamentos poderiam ser usados para enfrentar a insegurança alimentar no mundo.
"Se tomássemos o dinheiro que foi gasto no ano passado em armamentos e conflitos, o equivalente a US$ 2,7 trilhões [R$ 14,1 trilhões], e dividíssemos entre os 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta, poderíamos ter distribuído US$ 4.285 [R$ 22,4 mil] para cada uma delas", declarou.
O presidente também criticou o aumento da corrida armamentista global. "Todo mundo acha que os conflitos vão se agravar e todo mundo quer mais armas, mais bombas atômicas, mais drones e aviões de combate cada vez mais caros. E nada disso é feito para construir ou para produzir alimentos", afirmou.
Lula ainda questionou a eficácia da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de conflitos internacionais recentes, afirmando que a organização corre o risco de perder credibilidade ao ceder ao que chamou de "fatalismo dos senhores da guerra".
Por Sputinik Brasil
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