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Especialista revela cinco estratégias para proteger o caixa e sustentar a expansão
Recorde na abertura de negócios contrasta com alta taxa de mortalidade e expõe falha estrutural na gestão financeira
O Brasil registrou 4,3 milhões de novos negócios em 2024, recorde histórico segundo a Serasa Experian. No mesmo período, levantamento com base em dados oficiais do IBGE e do Sebrae aponta que cerca de 60% das empresas encerram as atividades em até cinco anos. A combinação entre expansão acelerada e baixa taxa de sobrevivência revela um problema recorrente: empresários que confundem aumento de faturamento com saúde financeira. É nesse ponto que especialistas reforçam um alerta direto: faturamento não paga boleto.
Raphael Costa, empresário, autor e presidente do Grupo 220, organização voltada à formação de lideranças e aceleração de negócios, afirma que o erro mais comum está na leitura superficial dos números. “O empresário comemora o crescimento da receita, mas não olha para a geração de caixa. Se o dinheiro não entra no momento certo, a conta não fecha”, afirma.
Administrador de empresas e especialista em comportamento humano, ele já treinou mais de 10 mil empreendedores em temas como liderança e direcionamento estratégico. Segundo ele, o aumento das vendas pode, paradoxalmente, ampliar o risco operacional. “Quando a empresa cresce sem estrutura financeira, ela aumenta custo fixo, assume compromissos maiores e reduz margem de erro. Se houver atraso de recebimento ou queda pontual de vendas, a fragilidade aparece.”
Diferença entre receita e avanço real
O crescimento de faturamento é um indicador relevante, mas isolado não traduz prosperidade. Empresas que vendem mais com margem comprimida ou prazos longos de recebimento podem operar sob pressão constante de capital de giro.
“O que mantém a empresa viva é caixa disponível, não volume de vendas. Já vi negócios dobrarem a receita e quebrarem no mesmo ano porque não tinham controle financeiro”, relata o presidente do Grupo 220. Ele destaca que expansão exige planejamento prévio de fluxo de caixa e reserva estratégica.
Dados do Mapa de Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que apenas no primeiro quadrimestre de 2024 foram abertas 1,45 milhão de empresas no país. O dinamismo empreendedor é evidente. A questão, segundo especialistas, é que abertura e crescimento não garantem sustentabilidade sem disciplina financeira.
Antes de ampliar equipe, estrutura ou investimento em marketing, a recomendação é revisar fundamentos. Mapear entradas e saídas, entender prazo médio de recebimento, calcular margem líquida real e projetar capital de giro são etapas consideradas básicas.
“A primeira pergunta que o empresário precisa responder é: quanto sobra depois de pagar todas as obrigações? Se ele não tem essa clareza, está tomando decisão no escuro”, afirma Raphael Costa. Ele ressalta que o acompanhamento deve ser periódico e baseado em indicadores objetivos.
A contratação de empresas especializadas em gestão financeira ou controladoria pode ser uma alternativa para quem não possui estrutura interna. A orientação é avaliar histórico, metodologia aplicada, cases concretos e capacidade de implementação prática, não apenas relatórios teóricos.
O especialista aponta cinco cuidados para proteger o caixa preservar a margem e garantir crescimento sustentável
Para transformar crescimento em avanço consistente, a organização financeira precisa anteceder a expansão. Alguns pontos são considerados estratégicos.
- Monitorar fluxo de caixa diariamente. Antecipar desequilíbrios evita decisões emergenciais e crédito caro.
- Planejar capital de giro antes de expandir. Crescimento exige fôlego financeiro para sustentar aumento de custos fixos.
- Proteger margem de lucro. Faturar mais com margem reduzida pode comprometer rentabilidade no longo prazo.
- Estruturar processos internos. Padronização reduz desperdícios e melhora previsibilidade.
- Separar finanças pessoais das empresariais. Misturar recursos compromete controle e distorce indicadores.
Além de reduzir risco de ruptura, empresas financeiramente organizadas ampliam poder de negociação com bancos e investidores. A previsibilidade de caixa melhora condições de crédito e fortalece posicionamento estratégico.
“O crescimento precisa ser sustentado por estrutura. Receita é consequência de uma operação saudável. Quando a base é frágil, qualquer oscilação vira ameaça”, conclui Raphael Costa.
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