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Mudança na previsão de duração do conflito indica revés para EUA e Israel, afirma analista
Especialistas avaliam que ampliação do prazo para o fim do conflito sugere dificuldades inesperadas para Washington e Tel Aviv diante da resposta iraniana.
A Rússia exerce forte influência no Oriente Médio e mantém uma parceria estratégica consolidada com o Irã, relação que se fortaleceu ainda mais devido às sanções impostas pelo Ocidente a ambos os países nos últimos anos.
Com o conflito entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro, entrando em seu quarto dia, os principais atores parecem se preparar para um embate prolongado, elevando o tom das ameaças e sinalizando para uma possível escalada dos ataques.
Em entrevista ao programa Entretanto, da Rádio Sputnik Brasil, o doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro destacou que a Rússia pode desempenhar um papel importante na busca por soluções para a crise no Oriente Médio.
"A Rússia possui autoridade e isso é indiscutível. O Irã é um parceiro estratégico da Rússia."
Segundo Jhonathan, ao contrário do que muitos imaginam, Moscou não se alinharia automaticamente ao Irã nem enviaria tropas para o conflito. Ele descarta a possibilidade de envolvimento militar direto da Rússia.
O analista geopolítico Raphael Machado, também comentarista do programa Entretanto, chama atenção para a recente mudança na previsão de duração do conflito.
Inicialmente, a Casa Branca projetava uma operação de quatro dias. Agora, o presidente Donald Trump já fala em um confronto que pode durar de quatro a cinco semanas, enquanto autoridades israelenses consideram que o conflito pode se estender até meados de abril.
"O cálculo inicial era de que, ao realizar um ataque de decapitação contra o Irã, o regime iraniano colapsaria, se renderia ou buscaria uma negociação para evitar um confronto militar. Ou, quem sabe, isso levaria a protestos internos que poderiam derrubar o governo", analisa Machado.
O especialista lembra ainda que, tanto na Guerra dos 12 dias quanto nos ataques iniciados no sábado (28), as ofensivas de Estados Unidos e Israel ocorreram durante negociações com o Irã, que demorou pelo menos um dia para responder às retaliações.
"Os EUA usaram as negociações como cortina de fumaça para distrair o adversário e talvez fazê-lo baixar a guarda. Talvez os iranianos não devessem ter confiado novamente em negociar com os EUA, considerando o histórico de Washington e Tel Aviv", avaliou.
Apesar da desconfiança, Machado ressalta que o governo iraniano sempre manifestou interesse em soluções diplomáticas para suas controvérsias.
"O aiatolá Khamenei, historicamente, sempre foi um líder diplomático, pouco belicoso e pacifista. Ele foi o principal obstáculo à aquisição de armas nucleares pelo Irã e sempre insistiu no diálogo com o Ocidente, inclusive com os Estados Unidos. Por isso, o Irã aceitou esta nova rodada de negociações, apesar do histórico", afirmou.
O líder supremo do Irã foi morto em um bombardeio conjunto de Israel e Estados Unidos contra sua residência. Nesta segunda-feira (2), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, confirmou a jornalistas que Khamenei recusou-se a buscar abrigo em um bunker, mesmo sob ameaça.
De acordo com Machado, a resposta iraniana às retaliações serviu para demonstrar força diante de Estados Unidos e Israel, que, segundo ele, "só compreendem a linguagem da força, mesmo que posteriormente aceitem negociar".
"Eventualmente, o Irã terá de negociar. Mas não faz sentido aceitar negociações sem antes demonstrar força, pois é preciso impor um custo elevado aos EUA para que entendam que o Irã não possui as mesmas fragilidades de outros países, como a Venezuela, que sofreu ataques e não teve condições de reagir como o Irã", concluiu.
Fonte: Sputnik Brasil
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