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Em meio às tensões no Oriente Médio, qual o papel da Rússia na busca por soluções?
Especialistas analisam influência russa e mudanças nas estratégias de EUA e Israel diante do agravamento do conflito com o Irã.
A Rússia mantém influência significativa no Oriente Médio, sendo aliada estratégica do Irã. Essa aproximação foi reforçada pelas sanções impostas pelo Ocidente a ambos os países nos últimos anos.
Em entrevista ao programa Entretanto, da rádio Sputnik Brasil, Jhonatan Mattos, mestre e doutorando em Relações Internacionais pela UERJ, avalia que a Rússia pode apoiar o Irã indiretamente, principalmente por meio da venda de armamentos.
Segundo Mattos, uma intervenção direta de Moscou, como o envio de tropas, está descartada no cenário atual. "A Rússia vem vendendo armas ao Irã, mas não acredito que, neste momento, haverá uma intervenção direta, como envio de soldados ou tropas", afirmou, destacando que a prioridade russa é proteger seu próprio território diante do avanço da OTAN na antiga Cortina de Ferro.
Analista aponta mudança na duração prevista do conflito
Raphael Machado, analista geopolítico e comentarista do programa Entretanto, afirmou nesta segunda-feira (2) que a alteração nas previsões de duração do conflito indica falhas no planejamento de Israel e Estados Unidos.
O ex-presidente norte-americano Donald Trump declarou à imprensa que, desde o início, a expectativa era de que a escalada no Oriente Médio durasse de quatro a cinco semanas. Ele também afirmou que os Estados Unidos têm capacidade para prolongar o envolvimento.
Inicialmente, porém, Israel e EUA previam ataques de até quatro dias, com a possível queda do governo iraniano. Agora, Tel Aviv já considera a possibilidade de o conflito se estender até meados de abril.
"O cálculo básico era de que, ao realizar um ataque de decapitação contra o Irã, isso faria o regime iraniano colapsar, se render ou buscar negociação, evitando um confronto militar. Ou, talvez, levar manifestantes hipotéticos a tomar o poder", analisa Machado.
O analista relembra que, tanto na Guerra dos 12 dias quanto nos ataques iniciados no sábado (28), as ofensivas militares de EUA e Israel começaram durante negociações com o Irã, que demorou ao menos um dia para responder às retaliações.
"Os Estados Unidos utilizaram negociações como cortina de fumaça para distrair o adversário e possivelmente baixar sua guarda. Talvez os iranianos não devessem ter confiado novamente em negociar com os EUA, considerando precedentes", avaliou Machado.
Apesar da desconfiança, Machado ressalta que o governo iraniano sempre buscou demonstrar interesse por soluções diplomáticas.
"O aiatolá Khamenei, historicamente, sempre foi um líder diplomático e pouco belicoso. Ele era o principal obstáculo, por exemplo, à aquisição de armas nucleares pelo Irã, insistindo em negociações e diálogo com o Ocidente e os EUA. Por isso, o Irã aceitou uma nova rodada de negociações, apesar dos precedentes", afirmou.
O líder supremo do Irã morreu após ataques conjuntos de Israel e EUA atingirem sua residência. Segundo o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, Khamenei recusou-se a ir para um bunker de segurança mesmo sob ameaça.
Para Machado, ao responder às retaliações, o Irã demonstrou força aos EUA e Israel, que, segundo ele, "só compreendem a linguagem da força, ainda que se recorra a negociações posteriormente".
"Eventualmente, o Irã terá de negociar. Não faz sentido aceitar negociações sem antes demonstrar força, pois é preciso impor custos elevados aos Estados Unidos para que entendam que o Irã não tem as mesmas fragilidades de outros países, como a Venezuela, que sofreu ataques e uma operação de sequestro, mas não conseguiu reagir como o Irã", concluiu.
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