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Especialista alerta: inteligência artificial pode acelerar velocidade da guerra
Professor João Gabriel Burmann analisa impactos da IA nos conflitos armados e destaca riscos para países em desenvolvimento.
Após a introdução dos drones ter transformado a dinâmica dos combates com seu potencial letal, a inteligência artificial (IA) desponta como uma nova mudança de paradigma nas estratégias militares. Sua capacidade de adaptação e o desenvolvimento de ataques cibernéticos em série permitem atingir múltiplos sistemas de defesa adversários.
Com o cenário internacional cada vez mais instável e frequentes escaladas em conflitos regionais, a arte da guerra passa por contínua transformação. Além da corrida armamentista, a incorporação de tecnologias sofisticadas, baseadas em programação avançada, tornou-se parte integrante das operações de combate.
Em entrevista à Sputnik Brasil, João Gabriel Burmann, professor da UniRitter e pesquisador do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (Isape), destacou que a consolidação da IA no âmbito militar também acelera a capacidade de resposta em situações de combate.
"A IA tem um potencial de transformação da guerra muito maior do que o drone. Na verdade, são elementos complementares. Nos últimos dez anos, a IA vem sendo cada vez mais utilizada em múltiplos níveis do planejamento militar, desde o nível tático, na comunicação e localização em tempo real de tropas, até o estratégico, no processo de tomada de decisão e, eventualmente, no emprego de armas nucleares ou de destruição em massa", explicou.
IA não deve limitar o emprego de humanos em batalhas
Apesar dos avanços computacionais nas ciências militares, Burmann não acredita que o fator humano será substituído ou terá seu papel reduzido durante a transição entre homem e máquina em conflitos de larga escala, pois as características humanas permanecem essenciais nesse contexto.
"A guerra é algo importante demais para ser deixada para as máquinas. Vejo que a tomada de decisão por uma IA nunca será tão abrangente quanto a dos seres humanos. Por mais que nosso processo seja falho e até lento, ele considera questões éticas, o que é um diferencial importante, já que a máquina não pode ser responsabilizada por excessos, pois sempre busca a solução mais lógica", analisa.
Essa revolução tecnológica, no entanto, tende a moldar um novo perfil de soldado no front. Nesse cenário, a inteligência humana ganha mais valor do que o condicionamento físico ou a ousadia individual, como contextualiza o analista.
"Já há um grande processo de digitalização nas tropas, e o perfil do soldado do século XXI não pode mais ser definido apenas pela força física e pela coragem. Agora, esse combatente precisa operar sistemas tecnológicos e saber interagir tanto com seu próprio processo decisório quanto com o da IA. É preciso ser mais resiliente, e já está em curso um processo de educação voltado para o militar do futuro", disse.
IA também pode ser 'arma' para países em desenvolvimento
Ao pensar em inteligência artificial no contexto da defesa, países considerados potências militares e desenvolvidos largam com vantagem. Entretanto, o pesquisador observa que a revolução tecnológica pode também beneficiar nações em desenvolvimento, ampliando e diversificando o poderio das Forças Armadas, mas também intensificando o risco de aumento de confrontos.
"A IA é uma tecnologia que pode facilmente se disseminar para competidores menos capacitados, ao contrário das armas nucleares, restritas a poucos países. Como a IA torna procedimentos e equipamentos mais eficientes, ela pode habilitar mais atores militares, o que considero perigoso, pois pode aumentar a quantidade de conflitos no mundo", comentou.
A questão da soberania nacional torna-se cada vez mais relevante tanto na geopolítica quanto nos debates internos de diversos países. Mesmo aqueles sem capacidade técnico-militar para produzir armamentos de ponta podem, com o avanço constante da IA, investir em defesa digital, visando evoluir no campo de batalha ou atacar sistemas cibernéticos estratégicos de potenciais adversários.
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