Geral
Congresso dos EUA aponta supostas bases secretas da China no Brasil e América do Sul
Relatório do Congresso americano sugere que instalações científicas e espaciais em solo brasileiro serviriam a interesses geopolíticos da China, incluindo possíveis usos militares.
Um relatório do Congresso dos Estados Unidos afirma que a China mantém bases e estações estratégicas em diversos países da América do Sul, incluindo o Brasil.
O documento, produzido pelo Comitê da Câmara dos Representantes sobre competição estratégica com a China, foi divulgado entre a noite de quinta-feira (26) e a madrugada de sexta-feira (27), no horário de Brasília. O texto detalha ativos chineses na região e faz acusações de atuação clandestina em prol de interesses geopolíticos de Pequim.
Entre os pontos destacados está a estação terrestre para lançamentos espaciais chineses no Brasil, denominada "Tucano Ground Station". Segundo o relatório, a estação seria controlada pela China. No entanto, no local funciona a empresa brasileira Alya Space, que, em parceria com a chinesa Beijing Tianlian Space Technology Co. Ltd., realiza análises de dados de satélites de monitoramento.
A Alya Space planeja lançar a rede Alya-1 de satélites de baixa órbita e alta frequência, destinada ao sensoriamento e monitoramento ambiental, além da gestão de setores como agricultura, mineração, petróleo e gás.
Apesar disso, o relatório do Congresso dos EUA, intitulado "Atraindo a América Latina para a Órbita da China", sustenta que o projeto serviria de fachada para operações secretas chinesas na América do Sul.
O documento afirma que a localização exata da Estação Terrestre Tucano é desconhecida e que acordos de compartilhamento de dados e uso de antenas interconectadas poderiam, na prática, ampliar a precisão do rastreamento, o Conhecimento da Situação Espacial (SSA) e a resiliência de comando em ativos civis e de defesa.
O relatório também menciona memorando firmado entre a Alya Space e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Força Aérea Brasileira, que prevê treinamento de militares em simulação de órbita e uso de antenas da Força Aérea como backup para o site Tucano. Para os parlamentares norte-americanos, tal integração facilitaria a influência chinesa sobre a doutrina espacial militar brasileira.
Laboratório na Serra do Urubu (PB)
Outro projeto citado é o laboratório de radioastronomia sino-brasileiro na Serra do Urubu, município de Aguiar, na Paraíba, inaugurado em 2023. O local resulta de parcerias entre o Instituto de Pesquisa em Rede de Comunicação da China Electronics Science and Technology (CESTNCRI) e as universidades federais de Campina Grande e da Paraíba.
De acordo com as universidades brasileiras, a cooperação abrange pesquisas em radioastronomia, tecnologias de observação do espaço profundo e planejamento de projetos científicos de grande escala.
O projeto, chamado BINGO (Observações de Oscilações Acústicas de Bárions em Gás Neutro), também conta com a participação de instituições da África do Sul, Reino Unido, Suíça e França.
Para as autoridades dos EUA, entretanto, tais sistemas poderiam ter uso duplo, incluindo aplicações em inteligência militar, SSA e rastreamento de alvos não cooperativos.
O relatório ainda cita outros países sul-americanos com instalações chinesas:
"Pelo menos onze instalações espaciais ligadas à República Popular da China, compostas por estações terrestres, radiotelescópios e locais de Laser Ranging de Satélites, estão situadas na Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil. Os locais possuem capacidades de duplo uso e estão ligados a inúmeras entidades associadas ao Exército de Libertação Popular".
Fonte: Sputnik Brasil
Mais lidas
-
1TEMPO INSTÁVEL
Chuva forte alaga Paraty, deixa moradores ilhados e pertences submersos; veja vídeo
-
2MEMÓRIA
Jaqueta de Dinho, dos Mamonas Assassinas, é encontrada intacta em exumação
-
3JUSTIÇA
Juíza natural de Palmeira dos Índios é convocada para atuar por seis meses no STJ em Brasília
-
4CARNAVAL 2026
Apuração da Série Ouro do Carnaval 2026 será nesta quinta-feira, a partir das 17h
-
5FENÔMENO NAS REDES
Procuradas 'vivas e fofas': zoológicos russos enfrentam filas para adquirir capivaras em meio à popularidade