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Marinha realiza seminário para discutir propulsão nuclear da frota

27/02/2026
Marinha realiza seminário para discutir propulsão nuclear da frota
Foto: © flickr.com / Marinha do Brasil

Evento discute a criação de arcabouço legal para tecnologias como pequenos reatores nucleares no ambiente marítimo e é considerado estratégico para países como Brasil, que visa usar a tecnologia para ampliar a proteção da Amazônia Azul.

A Marinha do Brasil realizou nesta sexta-feira (27), no Rio de Janeiro (RJ), o 1° Seminário Regulação Nuclear Naval no Brasil. O evento ocorreu na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, e reuniu especialistas, representantes das indústrias naval e nuclear e de órgão reguladores para debater a importância da regulação do emprego de energia nuclear no cenário marítimo comercial.

O evento ocorre em um momento decisivo para o setor global de navegação: a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) estabeleceu como meta a descarbonização completa da frota global até 2050, um desafio profundo para o setor que joga luz sobre a energia nuclear como alternativa limpa.

O tema é de importância especial para o Brasil, que tem mais de 95% de seu comércio exterior realizado por via marítima. Em novembro, o país assegurou mais um mandato no Conselho da Organização Marítima Internacional (IMO), trazendo como pautas de interesse a segurança no mar e o protagonismo brasileiro na transição energética.

O objetivo do Brasil é concluir a revisão do código nuclear da IMO até 2030, levando a uma regulação nuclear naval internacional que garanta a implantação segura e harmonizada de tecnologias como os pequenos reatores nucleares (SMRs, na sigla em inglês) no ambiente marítimo. No caso brasileiro, isso permitirá não apenas a redução da poluição marítima como também uma proteção maior da Amazônia Azul.

Em discurso no evento, o almirante de esquadra Sílvio Luís dos Santos, diretor-geral de navegação (DGN), afirmou que o código da IMO é abrangente, mas precisa ser atualizado.

"A propulsão, os reatores nucleares avançaram muito em tecnologia. […] Naturalmente, a segurança nuclear também aumentou muito os seus requisitos. E, da nossa parte, as codificações ambientais, bem como regulatórias, também foram aperfeiçoadas. Isso tudo suscita que esse código, naturalmente, deve ser revisado."

À Sputnik Brasil, o gerente-geral de águas ultra profundas, concepção e implantação de projetos da Petrobras, Fábio Menezes Passarelli, afirmou que a energia nuclear é vital para a transição energética.

"É uma fonte cuja tecnologia de geração é dominada pela sociedade. Ela tem uma densidade energética grande, ela é intensa, 24 horas por dia, então desempenhará um papel vital no processo de descarbonização das operações da sociedade", afirma.

Ele aponta que há um avanço tecnológico e exponencial significativo em relação ao tema ao redor do mundo que torna a regulação necessária.

"A gente só vai conseguir capturar os benefícios desse avanço tecnológico, dessa tecnologia, dessa solução, se a gente tiver um arcabouço regulatório que permita o desenvolvimento de modelos de negócio que sejam viáveis."

Alessandro Facure, diretor-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), destaca que o Brasil é um país que está extremamente bem posicionado no setor nuclear.

"Dominamos todo o ciclo do combustível nuclear, então somos um dos poucos países, talvez seis, que estejam nessa condição, além de o Brasil contar com reservas extensas de urânio, que é um insumo que é utilizado para esses reatores nucleares."

Diante disso, ele afirma que o debate garante que a sociedade possa ser beneficiada das aplicações nucleares, mas mantendo toda a segurança que é necessária para que isso ocorra de maneira positiva.

Por sua vez, Petrônio Augusto Siqueira de Aguiar, secretário naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), afirma que o seminário é importante para unir em debate as comunidades marítima e nuclear.

"Para que estas duas culturas passem a interagir um pouco mais, tendo em vista que o mundo discute o emprego da energia nuclear embarcados, seja em plataformas, seja em navios, ou mesmo de plataformas estacionárias. Esse é o nosso maior objetivo e espero que estejamos conseguindo alcançar isso, não só com a participação de órgãos reguladores, como da indústria e da academia."


Por Sputinik Brasil