Geral
Especialista do HUL alerta para sinais e prevenção das LER/DORT
No Dia Mundial de Combate às doenças relacionadas ao trabalho, terapeuta destaca desafios como subnotificação e falta de políticas preventivas
Lagarto (SE) – Dor que começa “de leve”, formigamento nas mãos, cansaço constante nos ombros ou na coluna e dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns sinais que podem indicar a presença das Lesões por Esforço Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
Neste sábado (28), data em que se celebra o Dia Mundial de Combate às LER/DORT, a terapeuta ocupacional Evelyn Oliveira, do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), reforça que esse conjunto de doenças está diretamente ligado às formas como trabalhamos hoje.
Segundo a especialista, as LER/DORT englobam agravos que atingem o sistema musculoesquelético, envolvendo músculos, tendões, nervos e articulações, com maior frequência em membros superiores (mãos, punhos, braços, ombros) e na coluna vertebral.
“Esses agravos estão fortemente associados às condições de trabalho que impõem repetição contínua de movimentos, adoção de posturas inadequadas e permanência prolongada na mesma posição, configurando-se como importantes problemas no campo da saúde do trabalhador”, afirma Evelyn.
Fatores de risco e sinais de alerta
A profissional do HUL-UFS explica que o aumento dos casos em ambiente laboral está relacionado às mudanças nos modos de produção e na organização do trabalho, especialmente em contextos que exigem uso intensivo de computadores, execução de tarefas repetitivas e jornadas prolongadas, muitas vezes sem pausas. A isso se somam ambientes com alta demanda assistencial e pouca atenção aos princípios de ergonomia.
“Entre os principais sinais de alerta estão dor localizada ou difusa, sensação de formigamento ou dormência, rigidez muscular e perda de força. Quando ignorados, esses sintomas podem evoluir para quadros crônicos, comprometendo a capacidade funcional, inclusive para atividades simples do cotidiano”, ressalta.
A terapeuta destaca ainda que muitos trabalhadores naturalizam a dor e demoram a buscar ajuda, o que contribui para a subnotificação dos casos e para o agravamento dos quadros.
Ações de prevenção
No ambiente de trabalho, Evelyn enfatiza que a prevenção passa, em primeiro lugar, por reconhecer que a forma de trabalhar impacta diretamente a saúde. A partir daí, algumas medidas podem fazer grande diferença na rotina: adequação ergonômica das estações de trabalho; realização de pausas regulares durante a jornada; alternância entre tarefas que envolvam diferentes grupos musculares; prática de alongamentos antes do início das atividades e durante os intervalos; promoção contínua da educação postural.
“A conscientização sobre as LER/DORT é fundamental para ampliar o debate acerca da saúde do trabalhador. Ainda assim, persistem desafios significativos, como a subnotificação dos casos e a ausência de políticas efetivas de prevenção que fortaleçam ações educativas, promovam o reconhecimento institucional dessas doenças e garantam investimentos em condições adequadas de trabalho”, finaliza.
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