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Mãe impediu modelo brasileira de cair em rede ligada a Epstein, revela BBC

Glaucia Fekete escapou do esquema de tráfico sexual após a mãe proibir viagem a Nova York em 2004, segundo investigação da BBC.

26/02/2026
Mãe impediu modelo brasileira de cair em rede ligada a Epstein, revela BBC
Jeffrey Epstein - Foto: Reprodução

A modelo brasileira Glaucia Fekete escapou de ser aliciada pela rede de tráfico sexual comandada pelo financista americano Jeffrey Epstein, morto em 2019, graças à intervenção de sua mãe, que proibiu uma viagem para Nova York em 2004. A informação foi revelada em reportagem da emissora britânica BBC, publicada nesta quinta-feira, 26.

Na época com 16 anos, Glaucia foi convidada para participar de um concurso de modelos em Guayaquil, no Equador. Apesar da promessa de um prêmio de US$ 300 mil e oportunidades internacionais, sua mãe, Bárbara Fekete, desconfiou da proposta.

O francês Jean-Luc Brunel, então agente de modelos e considerado braço direito de Epstein, chegou a visitar a família em Santa Rosa, interior do Rio Grande do Sul, a 490 km de Porto Alegre, para convencer Bárbara a permitir a participação da filha no concurso.

Brunel conseguiu a autorização para Glaucia ir ao evento, chamado "Models Next Generation", que reuniu 50 jovens entre 15 e 19 anos e teve ampla cobertura da imprensa equatoriana. Apesar de não vencer, Glaucia recebeu de Brunel o convite para seguir para Nova York e iniciar carreira internacional.

No entanto, Bárbara não permitiu a viagem aos Estados Unidos. "Aí eu voltei brava com a minha mãe, porque ela não me deixou ir para Nova York", contou Glaucia à BBC Brasil. Hoje, ela reconhece o perigo que correu: "Mesmo sem saber, estava no meio desse furacão todo, né? Realmente foi um livramento".

"Criei meus filhos com tanto amor e carinho e aí vou largar na mão de quem eu não conheço?", disse Bárbara, justificando sua decisão. Ela também citou uma experiência anterior da filha como modelo em São Paulo marcada por dificuldades financeiras.

A desconfiança materna foi crucial. "Eu tinha uma coisa na minha cabeça, que isso não era coisa certa. Não poderia ser. Procuravam só crianças, menores. Infelizmente acharam a minha filha", relembrou Bárbara. "Minha mãe me salvou", reconheceu Glaucia.

Interesse no Brasil

Jean-Luc Brunel foi acusado de estupro, agressão sexual e assédio sexual. Ele foi preso em dezembro de 2020 e morreu em uma cela em Paris, em 2022, antes de ser julgado.

Documentos do caso Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, mostram que Epstein demonstrou interesse em adquirir agências de modelos brasileiras para "ter acesso a garotas". Há também menções à compra de revistas e à organização de concursos de beleza com o mesmo objetivo.

E-mails citam possíveis vítimas brasileiras, incluindo uma menina de família pobre do Rio Grande do Norte e outra jovem chamada Juliana, de 21 anos.

A vítima brasileira mais conhecida do esquema é Marina Lacerda, 37 anos, traficada e abusada por Epstein em 2002, quando vivia em Nova York. Em 2025, ela tornou pública sua história junto com outras vítimas do milionário. Lacerda afirma que cerca de 50 brasileiras foram vítimas do esquema, a maioria imigrantes nos EUA.

Em depoimento à polícia americana, uma testemunha não identificada afirmou que Brunel teria traficado quatro meninas brasileiras para os Estados Unidos, duas delas menores de idade, que teriam participado de festas na mansão de Epstein em Nova York.