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Governo mantém estudos sobre concessão de hidrovias na Amazônia após revogar decreto

Ministro Silvio Costa Filho afirma que, apesar da revogação motivada por protestos indígenas, análises técnicas e diálogo com comunidades continuam

Sputinik Brasil 26/02/2026
Governo mantém estudos sobre concessão de hidrovias na Amazônia após revogar decreto
Ministro Silvio Costa Filho afirma que estudos sobre concessão de hidrovias na Amazônia continuam após revogação de decreto. - Foto: © Foto / Alberto César Araújo / Amazônia Real

Apesar da revogação do decreto sobre a concessão de hidrovias na Amazônia, o governo federal seguirá com os estudos técnicos relacionados ao tema, conforme destacou nesta quinta-feira (26) o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Segundo o ministro, a suspensão do decreto não interrompe as atividades conduzidas pela Secretaria Nacional de Hidrovias. "A decisão foi pela revogação do decreto, mas os estudos continuam", afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Após participar dos leilões de arrendamentos portuários na B3, em São Paulo, Costa Filho ressaltou que o governo respeita a decisão majoritária interna sobre o assunto. Ele explicou que a revogação ocorreu diante do aumento dos protestos, mas ponderou que manifestações não devem comprometer projetos estratégicos para o país.

O ministro informou que cinco estudos estão em andamento — dois sob responsabilidade do BNDES e três da Infra S.A. Segundo ele, as propostas passarão por consultas públicas, e o diálogo com comunidades locais, movimentos sociais e setor produtivo será ampliado.

"O governo deve adotar as medidas necessárias, preservando o diálogo, mas sem abrir mão do desenvolvimento", afirmou Costa Filho.

Protestos indígenas motivaram revogação da concessão

Em meio à pressão de indígenas contra projetos de dragagem de rios na Amazônia, o governo federal decidiu, no início da semana, revogar um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que previa a concessão de três hidrovias da região, incluídas no Programa Nacional de Desestatização.

A medida foi tomada após indígenas ocuparem terminais portuários e embarcações da empresa Cargill em Santarém (PA), protestando contra o projeto de dragagem do rio Tapajós, que, segundo o grupo, representa uma tentativa de privatização do manancial.

O cenário levou a uma reunião de emergência entre os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral do Governo) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) com lideranças indígenas. Após o encontro, foi anunciada a revogação do decreto.

"Houve uma mobilização legítima e justa dos povos indígenas em relação a esse decreto, e o governo do presidente Lula tem a capacidade de escuta. O governo do presidente Lula ouve a sociedade", afirmou Boulos na ocasião.

Além da hidrovia do Tapajós, estavam previstas concessões de outros dois trechos: mais de mil quilômetros do rio Madeira (entre Porto Velho/RO e Itacoatiara/AM) e outros mil quilômetros do rio Tocantins (entre Peixe/TO e Belém/PA).