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Do G7 ao G20, Europa busca se aproximar do BRICS por temor de ser 'deixada para trás'

Lula defende fortalecimento do BRICS e aponta interesse europeu em maior integração entre blocos econômicos.

Sputinik Brasil 25/02/2026
Do G7 ao G20, Europa busca se aproximar do BRICS por temor de ser 'deixada para trás'
Líderes globais discutem aproximação entre BRICS, G20 e G7 em meio a mudanças na geopolítica mundial. - Foto: © Yves Herman

Ao encerrar sua visita à Índia, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o fortalecimento do BRICS e sugeriu que o grupo pode, no futuro, ocupar o espaço do G20 como principal fórum econômico mundial.

Em seu discurso, Lula destacou a prioridade de fortalecer a cooperação entre os membros do BRICS e ampliar a participação dos países do Sul Global. O presidente também mencionou o interesse do presidente da França, Emmanuel Macron, em aproximar o BRICS do G7 na próxima cúpula, já tendo convidado Brasil, Índia e África do Sul para participar da reunião.

Para Lula, o grupo ainda passa por um processo de consolidação e precisa ganhar densidade política e social antes de assumir um papel mais central na governança global.

O presidente brasileiro afirmou que não enxerga o BRICS como rival direto de outros fóruns multilaterais, mas como parte de um movimento gradual de reorganização do sistema internacional. Segundo Lula, diferentes fóruns podem convergir futuramente para um arranjo mais amplo e representativo do equilíbrio geopolítico mundial. "Nós vamos caminhando para que possamos criar um único bloco", afirmou. "Estamos dando a cara para um grupo que era marginalizado, que é o Sul Global."

"Quem sabe esse grupo nosso [BRICS] fortalecido vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente é só um grupo. Em vez de ser BRICS, a gente tem o G30."

Lula também ressaltou o apoio do Brasil ao debate sobre transações em moedas locais no comércio entre os países do agrupamento. O tema ganha destaque diante do contexto de instabilidade global, acentuado por medidas como as tarifas unilaterais de 10% anunciadas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Isabela Silveira Rocha, pesquisadora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e representante do Fórum para tecnologia estratégica dos Brics+, a fala de Lula está inserida em um contexto de ano eleitoral e dialoga com sua base, tradicionalmente favorável a organismos multilaterais como o BRICS.

Rocha acredita que o BRICS poderia, no futuro, incorporar o G20, mas ressalta que tal movimento não foi iniciado pelo Brasil durante sua presidência em 2025, e que há dificuldades para que isso se concretize em curto prazo.

Ela avalia que a aproximação entre G20 e BRICS ocorre em um momento em que a Europa e seus líderes — representados por França, Alemanha, Itália e União Europeia no grupo — buscam não ser "deixados para trás", especialmente diante da percepção de que o BRICS pode assumir um protagonismo hoje associado à União Europeia.

A pesquisadora acrescenta que o cenário atual de instabilidade internacional também é resultado de fatores estruturais ligados ao Ocidente, como o legado do colonialismo europeu e a hegemonia dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria.

"Se existe uma fragmentação global hoje não é por causa dos BRICS, mas por causa da União Europeia."