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Ansiedade vista pelo corpo amplia debate sobre prevenção de burnout nas empresas

Crescimento recorde de afastamentos por transtornos mentais pressiona organizações a agir antes do colapso emocional

Carolina Lara 25/02/2026
Ansiedade vista pelo corpo amplia debate sobre prevenção de burnout nas empresas

O Brasil registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária concedidos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, segundo a Previdência Social. Em 2024, foram cerca de 472 mil afastamentos. No cenário global, a Organização Mundial da Saúde estima que ansiedade e depressão levem à perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com impacto superior a US$ 1 trilhão em produtividade.

Claudia Faria, especialista em regulação emocional e criadora do Yoga Adventure, método que aplica respiração e movimento consciente à gestão do estresse no trabalho, afirma que o burnout não começa na mente, mas no corpo. “Burnout não surge de repente. O corpo dá sinais muito antes”, diz.

A especialista sustenta que a respiração é ferramenta técnica de gestão emocional. Segundo ela, profissionais aprendem a operar sob ameaça sem perceber. “Quando a respiração encurta, o sistema nervoso entra em alerta. Se ninguém ensina a regular isso, a pessoa performa em estado de defesa”, afirma.

O método desenvolvido por ela integra respiração, movimento consciente e constância. A proposta é treinar clareza mental e tomada de decisão sob pressão. “Eu não trabalho relaxamento como fuga. Trabalho regulação para que a pessoa consiga agir com lucidez mesmo em cenários tensos”, explica.

Para as empresas, o investimento em prevenção tem retorno financeiro. A OMS aponta que cada US$ 1 aplicado em tratamento e prevenção de transtornos mentais comuns gera retorno médio de US$ 4 em saúde e produtividade. A redução do absenteísmo se soma à melhora no clima organizacional e na qualidade das decisões.

A especialista aponta cinco frentes para identificar sinais físicos de burnout nas equipes

A prevenção exige método e acompanhamento técnico. A especialista aponta cinco frentes estratégicas para empresas.

  1. Mapear sinais fisiológicos precoces
    É necessário treinar equipes para identificar respiração curta, tensão constante e dificuldade de foco. Esses sinais antecedem o esgotamento emocional.
  2. Aplicar respiração ao contexto real de trabalho
    Técnicas devem ser ensinadas para uso em reuniões, negociações e momentos de pressão. A regulação respiratória reduz a hiperativação do sistema nervoso.
  3. Garantir constância
    Ações isoladas têm efeito limitado. A prática precisa ser contínua e acompanhada para consolidar resultados.
  4. Formar lideranças conscientes
    Gestores influenciam diretamente o ambiente. Quando regulam o próprio estado corporal, reduzem conflitos e melhoram a comunicação.
  5. Avaliar critérios técnicos na contratação
    Ao buscar fornecedores, é recomendável verificar metodologia estruturada e experiência prática em contextos de alta pressão. “Não é palestra motivacional. É treinamento de habilidade. Sem método, não há transformação real”, afirma.

Especialistas em saúde ocupacional reforçam que programas corporativos não substituem acompanhamento médico ou psicológico quando necessário. A proposta é atuar na prevenção e na educação fisiológica, reduzindo o risco de colapso emocional.