Geral
Ex-agente da ditadura de Pinochet ligado à 'Caravana da Morte' é preso pelo ICE na Flórida
Armando Fernández Larios, condenado por crimes durante o regime de Pinochet, é detido nos EUA e pode ser extraditado para o Chile
O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) prendeu Armando Fernández Larios, ex-agente da Diretoria de Inteligência Nacional do Chile (Dina), condenado por crimes cometidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet.
O nome de Larios aparece em uma lista de 42 criminosos chilenos detidos, divulgada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA em 27 de janeiro. Segundo o órgão, ele foi preso em Fort Myers, na Flórida, a cerca de 250 quilômetros de Miami. Embora a divulgação tenha ocorrido neste ano, a prisão foi realizada em outubro do ano passado.
Larios era oficial do Exército chileno em 11 de setembro de 1973, data em que militares cercaram o Palácio de La Moneda e depuseram o presidente Salvador Allende, da coalizão Unidade Popular (UP). Após o golpe, Pinochet assumiu o poder, instaurando uma ditadura que durou 17 anos.
De acordo com o Centro para a Justiça e a Responsabilidade (CJA), Larios teve participação ativa no golpe e integrou a chamada "Caravana da Morte", operação militar realizada no norte do Chile em outubro de 1973. Nessa ação, agentes torturaram, abusaram e executaram ao menos 75 presos políticos, entre eles o economista Winston Cabello, que havia integrado o governo Allende.
Posteriormente, Larios ingressou na Dina, criada oficialmente em 1974, órgão responsável por ações clandestinas como sequestros, torturas, agressões e assassinatos de opositores do regime.
Segundo a Human Rights Watch, Larios fugiu para os EUA em 1987 após firmar um acordo judicial, no qual confessou envolvimento no assassinato do ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Orlando Letelier, e de sua assistente, a americana Ronni Moffitt. Ambos foram mortos em 21 de setembro de 1976, em Washington, após uma bomba ser colocada no carro de Letelier por agentes da Dina, a mando de Pinochet.
Pelo acordo, Larios cumpriu cinco meses de prisão e passou a viver nos EUA sob proteção do governo americano, sem possibilidade de extradição.
Em 2003, ele foi condenado por um júri da Flórida ao pagamento de US$ 4 milhões por tortura, crimes contra a humanidade e execuções extrajudiciais no caso do assassinato de Cabello. Em 2005, o Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos EUA confirmou a sentença.
Larios também é acusado de envolvimento em outros crimes, incluindo os assassinatos do ex-comandante do Exército chileno Carlos Prats, morto em Buenos Aires em 1974, e do diplomata hispano-chileno Carmelo Soria, funcionário da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) da ONU, morto em Santiago em 1976.
O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, afirmou que a prisão de Larios, após tantos anos, não surpreendeu o governo chileno. "Não nos surpreende, porque, de fato, aqueles que cometem crimes contra a humanidade e violam os direitos humanos são responsáveis pelos crimes mais graves, segundo o direito internacional", declarou à rádio Infinita.
O jornal El País informou que há cinco pedidos de extradição abertos contra Larios no Chile, por violações de direitos humanos. Segundo Gajardo, ele deve passar por uma audiência ainda neste mês, que decidirá sobre sua extradição.
Mais lidas
-
1FESTIVIDADES
Existe feriado no carnaval? Como funciona para a empregada doméstica?
-
2TRAGÉDIA
Vídeos de detetive flagrando traição foram o estopim para secretário matar os próprios filhos em Itumbiara
-
3TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
4EDUCAÇÃO E VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
Proposta reduz jornada de professores da educação básica para 30 horas semanais
-
5SERVIÇO
IPVA 2026 RJ: confira o calendário de vencimentos por final de placa