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Radialista Cláudio André, na Francês FM, sai em defesa da Tribuna do Sertão, critica censura judicial pedida por JHC e diz que não aceita “cultura da mordaça”; ouça aqui

Reprodução 13/02/2026
Radialista Cláudio André, na Francês FM, sai em defesa da Tribuna do Sertão, critica censura judicial pedida por JHC e diz que não aceita “cultura da mordaça”; ouça aqui

O radialista Cláudio André, apresentador do programa “A Notícia”, da Rádio Francês FM, fez nesta sexta-feira (13) um pronunciamento enfático em defesa da Tribuna do Sertão e contra a censura judicial imposta ao jornal após ação requerida pelo prefeito de Maceió, JHC, na Justiça.

Logo na abertura do assunto principal do programa, o comunicador chamou o caso de “assunto número um” e elevou o tom ao comentar a decisão que determinou a retirada do ar de uma reportagem do portal e das redes sociais do jornal. Para ele, o que está em jogo não é uma disputa privada, mas um princípio constitucional: o direito da sociedade de saber.

“Não pode censurar não, a imprensa não”, disparou, ao classificar a ordem judicial como uma “mordaça” que constrange o jornalismo e enfraquece a democracia.


“Se o jornal é proibido de noticiar, a população é proibida de saber”

Durante a fala, Cláudio André insistiu que a remoção de conteúdo jornalístico já publicado ultrapassa o veículo atingido e atinge diretamente o cidadão.
“A decisão que obriga a retirada de uma reportagem não atinge apenas o veículo. Ela atinge o próprio cidadão. Se o jornal é proibido de noticiar, a população é proibida de saber”, afirmou no ar.
O radialista observou que, quando o tema envolve administração pública, instituto de previdência e aplicação de recursos, o interesse público não é secundário — “é central”. Ele também lembrou que o assunto tem repercussão para além de Alagoas, diante da dimensão nacional do caso envolvendo o Banco Master e a atuação de órgãos públicos.


Defesa de caminhos proporcionais: resposta e debate, não supressão


No comentário, Cláudio André reforçou que controvérsias sobre conteúdo jornalístico devem ser enfrentadas por meios proporcionais e democráticos: esclarecimento, retificação, direito de resposta e debate público, não pela retirada da notícia.
Segundo ele, quando a Justiça opta pela supressão em vez de privilegiar instrumentos como resposta e esclarecimentos, o efeito prático é de intimidação — e cria um precedente perigoso: transformar o Judiciário em ferramenta para retirar do debate público temas incômodos, sobretudo quando envolvem autoridades e interesses sensíveis.


“Censura não é justiça”

Em um dos trechos mais marcantes do pronunciamento, o radialista resumiu sua posição em uma frase direta, repetida no ar:

“Censura não é justiça. Retirar reportagem é retirar o direito do povo de saber.”

Ele também alertou para o que chamou de “lógica antiga” do silenciamento: “primeiro se remove um texto, depois se impõe o medo, por fim se instala o silêncio”.


“Se proibirem a Tribuna aqui, eu saio do programa”

O tom subiu ainda mais quando Cláudio André projetou o risco de a censura avançar e atingir outros comunicadores. Ele relatou que já houve tentativas de silenciar seu próprio programa no passado e cravou que só permanece no ar enquanto tiver liberdade.

“Logo, logo vão proibir… Se vier alguma decisão dizendo que eu não posso mais ler a Tribuna do Sertão, eu saio. Eu deixo o programa. Não aceito censura”, disse.

Ao final, ele registrou solidariedade pública ao diretor do jornal, Vladimir Barros, e reafirmou que jornalismo não é crime: é serviço público prestado à sociedade.

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