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China desafia poder aéreo dos EUA e expõe fragilidade da frota norte-americana, diz mídia

Instituto Mitchell alerta para risco de perda de vantagem estratégica dos EUA diante do avanço militar chinês e recomenda ampliação urgente da frota aérea.

10/02/2026
China desafia poder aéreo dos EUA e expõe fragilidade da frota norte-americana, diz mídia
Aviões de combate dos EUA em operação: relatório aponta necessidade de ampliar frota frente ao avanço chinês. - Foto: © Northrop Grumman

Especialistas do Instituto Mitchell alertam que os Estados Unidos correm o risco de perder sua capacidade de dissuasão e vantagem estratégica frente ao avanço militar da China, caso não ampliem significativamente a aquisição de caças e bombardeiros de nova geração.

Segundo análise publicada pelo Defense News, a atual projeção de compras da Força Aérea norte-americana é considerada insuficiente para enfrentar um eventual conflito de alta intensidade contra a China.

De acordo com o think tank, seriam necessárias ao menos 500 aeronaves de sexta geração — sendo 300 caças F-47 e 200 bombardeiros B-21 — para garantir ataques profundos e impedir que o adversário mantenha áreas seguras. Estes números superam amplamente os planos oficiais, que preveem adquirir apenas 185 F-47 e 100 B-21.

Durante a apresentação do relatório, Heather Penney, ex-piloto de F-16 e diretora de pesquisa do instituto, destacou que conflitos como os da Coreia, Vietnã e Ucrânia evidenciam o alto custo estratégico de não atacar bases e infraestruturas críticas do inimigo. Segundo Penney, evitar esses alvos leva a guerras de desgaste prolongadas, em que o atacante mantém liberdade de ação e impõe perdas crescentes ao oponente.

Penney afirma que a China estaria deliberadamente estruturando suas forças para transformar o Pacífico Ocidental em um grande santuário defensivo. Permitir que o rival mantenha intactos seu território e infraestrutura, segundo ela, cria condições para que ele dite o ritmo do conflito e amplie as chances de vitória, forçando os EUA a adotar uma postura defensiva em caso de confronto.

O relatório cita a Operação Martelo da Meia-Noite, um ataque bem-sucedido contra instalações nucleares iranianas, como exemplo do poder do ataque aéreo de precisão. No entanto, Penney ressalta que a missão exigiu o emprego de toda a frota de B-2 Spirit — tanto na ofensiva quanto como isca —, expondo a fragilidade numérica da aviação estratégica americana. Se algum B-2 tivesse sido abatido, a Força Aérea não teria como repor a perda nem repetir a operação imediatamente.

Em um eventual confronto com a China, cuja defesa antiaérea é muito mais avançada que a iraniana, a limitação no número de aeronaves furtivas se tornaria ainda mais crítica. Segundo a analista, a falta de reservas suficientes poderia obrigar os EUA a adotar uma postura excessivamente cautelosa, evitando ataques profundos para não perder ativos insubstituíveis. Essa prudência, porém, poderia ser interpretada por Pequim como sinal de fraqueza, reduzindo a capacidade de dissuasão dos EUA em relação a Taiwan.

Para mitigar riscos até que o B-21 e o F-47 estejam disponíveis em grande número, o Instituto Mitchell recomenda suspender a aposentadoria dos bombardeiros B-1 e B-2 até que pelo menos 100 B-21 estejam em operação. O think tank também defende acelerar a produção do B-21 e ampliar a compra de F-35A, F-15EX e drones de combate colaborativo, revertendo décadas de redução da frota.

Além disso, o instituto propõe que a frota de bombardeiros alcance pelo menos 300 unidades. Com 76 B-52 atualmente em processo de modernização, isso exigiria a aquisição de pelo menos 224 B-21 — mais do que o dobro do planejado oficialmente.

Por Sputnik Brasil