Geral
Lula evoca Lampião ao falar de Trump e defende protagonismo do Brasil no cenário internacional
Em tom descontraído, presidente cita “sanguinidade de Lampião” para reagir a provocações e reforça que Brasil não aceita unilateralismo
Em atividade no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso marcado pelo tom bem-humorado e por uma referência inusitada ao cangaço nordestino. Ao comentar declarações e posturas do presidente norte-americano Donald Trump, Lula evocou a figura histórica de Lampião para ilustrar a disposição brasileira diante de provocações externas.
“Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião no presidente, ele não ficaria provocando a gente”, afirmou, arrancando risos da plateia. A fala, embora em tom de brincadeira, carregou um recado político claro: o Brasil não aceita intimidações nem disputas baseadas na força.
Lampião, personagem emblemático do sertão nordestino, tornou-se símbolo de resistência, bravura e enfrentamento às estruturas de poder de sua época. Ao usar essa referência, Lula buscou associar sua postura a uma identidade combativa, mas também estratégica, própria de quem conhece o peso simbólico da história brasileira.
Força retórica, não bélica
No discurso, Lula ironizou a retórica de poder militar atribuída a Trump. “Ficar falando na televisão: eu tenho o maior navio de guerra, eu tenho o maior submarino do mundo… Eu não quero briga com ele. Vai que eu brigue, eu ganho, o que é que eu vou fazer?”, disse, em tom jocoso.
Apesar da provocação simbólica, o presidente deixou claro que o embate não é militar. Segundo ele, a disputa se dá no campo das ideias e da construção de narrativas internacionais. “A briga do Brasil é a briga da construção da narrativa”, afirmou.
Defesa do multilateralismo
Lula reforçou que o Brasil defende o multilateralismo como modelo de organização internacional, lembrando que foi essa lógica, consolidada após a Segunda Guerra Mundial, que permitiu relativa estabilidade global nas últimas décadas.
“O mundo não pode prescindir do multilateralismo. Foi ele que criou uma harmonia entre os Estados e permitiu que a gente vivesse em paz até agora”, destacou.
Ao criticar o unilateralismo — definido por ele como a teoria de que “o mais forte pode tudo contra o mais fraco” — o presidente sinalizou que o Brasil não pretende se submeter a disputas de hegemonia.
Nem subordinação, nem supremacia
Na parte final do discurso, Lula afirmou que o país não busca supremacia sobre vizinhos sul-americanos, mas também não aceita posição inferior em relação às grandes potências.
“Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia, mas também não quero ser menor que os Estados Unidos ou que a China. Nós não estamos escolhendo entre China e Estados Unidos. Estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país”, declarou.
Ao invocar Lampião em pleno Planalto, Lula combinou regionalismo simbólico com estratégia diplomática. Entre a metáfora do cangaço e a defesa do multilateralismo, o presidente procurou transmitir a imagem de um Brasil altivo, independente e disposto a disputar protagonismo no debate internacional — não com armas, mas com discurso político.
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