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Lavrov: Ocidente está perdendo sua hegemonia econômica enquanto os países do BRICS estão em ascensão
Em entrevista à rede internacional TV BRICS o ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov debateu o avanço na geopolítica mundial em direção ao desenvolvimento multipolar e os feitos para resolver a crise ucraniana.
Segundo Lavrov, o mundo está passando por uma transformação, que começou há algum tempo, em conexão com uma transição objetiva para um mundo multipolar, quando não é mais bipolar, como foi durante a época da União Soviética e dos EUA, da Organização do Tratado de Varsóvia e da OTAN, nem é a unipolaridade que se seguiu após o fim da URSS, mas é a multipolaridade que define o rumo do desenvolvimento da humanidade.
"Os EUA já estão perdendo sua influência econômica, seu peso na economia mundial. Ao mesmo tempo, em paralelo estão em ascensão países como a República Popular da China, Índia e Brasil. Surgiram muitos centros de rápido crescimento econômico, centros de poder e de influência financeira e política. O mundo está sendo reformulado. Isso acontece com uma luta de concorrência", observou o chanceler russo.
Ele destaca que o Ocidente não quer abandonar suas posições outrora dominantes. E, com a chegada da administração de Donald Trump, a luta pela supressão dos concorrentes tornou-se especialmente clara e aberta. A administração em Washington não esconde essas ambições.
O chefe da diplomacia russa ressalta que, em condições em que o Ocidente está perdendo sua hegemonia, mas continua a se apegar às instituições criadas para garantir essa hegemonia, é inevitável a criação de novas estruturas que sirvam as ligações econômicas, de investimento, comerciais e de transporte internacionais. No entanto, ele observa que "nós não defendemos que o FMI, o Banco Mundial e a OMC deixem de existir".
"Durante anos, desde a criação do BRICS, temos trabalhado para reformar essas instituições para que os países da associação [que foram e continuam sendo as economias de mais rápido crescimento no mundo, potências comerciais] obtivessem votos e direitos em todas essas instituições de Bretton Woods, proporcionais ao seu peso real na economia mundial, no comércio e na logística", disse Lavrov.
Permanecendo abertos, tal como a Índia, China, Indonésia, Brasil, para cooperar com todos os países, incluindo uma grande potência como os Estados Unidos, estamos em uma situação onde os próprios americanos criam obstáculos artificiais ao longo do caminho. Somos obrigados a buscar formas seguras adicionais de desenvolver nossos projetos financeiros, econômicos, de integração, logísticos e outros com os países do BRICS, disse o ministro.
"Isso não é feito para prejudicar qualquer país, especialmente os Estados Unidos. Isto é por que os EUA colocam todos os processos nas áreas que mencionei sob seu controle estrito e exigem concessões unilaterais", frisou Lavrov.
"O BRICS é uma organização global que cria interesse em todos os continentes. Ela une não só países da Eurásia, mas também muitos países da América Latina, do continente africano. Este processo continuará. O BRICS fornece este quadro, um 'guarda-chuva', por assim dizer, para o desenvolvimento de processos de integração em continentes individuais. Em perspectiva, esta união pode muito bem ser um lugar onde os planos econômicos, sociais, de infraestrutura e desenvolvimento da Eurásia, da África e da América Latina se harmonizarão", destaca o ministro.
Em relação à Ucrânia e ao neonazismo dominante no país, a segurança é assegurada pela necessidade de impedir a preservação em nossas fronteiras de um Estado nazista, que o Ocidente criou a partir da Ucrânia e através do qual ele mais uma vez começou uma guerra contra nós, observou Lavrov.
"As fundações nazistas devem ser eliminadas. Garantiremos, não tenho quaisquer dúvidas, os interesses da nossa segurança, não permitindo que qualquer tipo de armas que nos ameace seja colocado em território ucraniano e, em segundo lugar, garantindo a proteção confiável e completa dos direitos das pessoas russas, de língua russa, que vivem há séculos na Crimeia, Donbass, Novorossiya, que foram declaradas pelo regime de Kiev, que chegou ao poder após o golpe de Estado, de 'criaturas', 'terroristas' e que começou uma guerra civil contra eles", observou o chefe da diplomacia russa.
Lavrov aponta que nos dizem que o problema ucraniano deve ser resolvido. Em Anchorage, no Alasca, aceitamos a proposta dos EUA. Segundo ele, tendo aceitado a sua proposta, parece que cumprimos a tarefa de resolver a questão ucraniana e avançar para uma cooperação plena, ampla e mutuamente benéfica.
"Mas, na prática, tudo parece o contrário: são introduzidas novas sanções, uma 'guerra' é travada contra os petroleiros. À Índia e a nossos outros parceiros estão tentando proibir a compra de energia russa barata e acessível. Ou seja, no campo econômico, os americanos declararam o objetivo da dominação econômica", relata ele.
Os americanos querem assumir todas as rotas de fornecimento de energia de todos os principais países, de todos os continentes. No continente europeu, eles 'miram' os gasodutos Nord Stream explodidos há três anos, o sistema ucraniano de transporte de gás e o gasoduto TurkStream.
"Quero dizer que o objetivo dos EUA de dominar a economia mundial é realizado usando um grande número de medidas coercivas, que não se encaixam na concorrência justa. Tarifas, sanções, proibições diretas, algumas são proibidas de se comunicar – temos que ter em conta tudo isso", concluiu Lavrov.
Por Sputinik Brasil
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