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Zona de livre comércio na África pode romper neocolonialismo europeu e multiplicar PIB até 2050

AfCFTA reúne maior número de países do mundo e prevê impulsionar economia africana, reduzindo dependência externa.

06/02/2026
Zona de livre comércio na África pode romper neocolonialismo europeu e multiplicar PIB até 2050
Zona de livre comércio africana pode impulsionar o PIB continental e reduzir influência externa. - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Criada em 2018, a Zona Continental de Livre Comércio Africana (AfCFTA, na sigla em inglês) já é a maior do mundo em número de países-membros, superando em mais do dobro a zona europeia. Em fase de implementação, a iniciativa tem potencial para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do continente dos atuais US$ 3,4 trilhões para US$ 29 trilhões até 2050.

Para que a zona de livre comércio opere plenamente, ainda é necessária a ratificação do acordo nos parlamentos de parte dos países participantes. "Alguns países já comercializam produtos específicos dentro desse regime preferencial. Portanto, mecanismos iniciais de integração econômica vêm sendo criados a partir da redução de tarifas. No entanto, trata-se de um processo de médio prazo, e a eliminação gradual desses índices deve ser concluída apenas em 2034", explica a cientista política Rafaela Serpa.

Diante da grande diversidade entre os países africanos, com economias e vocações distintas, a especialista ressalta que a AfCFTA prevê mudanças tarifárias adaptadas à realidade de cada território.

Para o pesquisador Lucca Medeiros da Silva, a zona de livre comércio também pode marcar um novo capítulo na superação do legado colonial na África. Segundo ele, antes das independências em relação às metrópoles europeias, a administração colonial foi "fatiada" em pequenos Estados justamente para manter o domínio econômico sobre a região.

Medeiros da Silva acredita que a consolidação da AfCFTA pode proteger o continente africano diante da corrida global por terras raras e minerais estratégicos, reduzindo a vulnerabilidade frente à "cobiça" de grandes potências.

Por Sputnik Brasil