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Aldo Rebelo diz que Brasil está 'travado', critica STF e propõe anistia ampla para pacificar o país

06/02/2026
Aldo Rebelo diz que Brasil está 'travado', critica STF e propõe anistia ampla para pacificar o país
Foto: © Sputnik / Maya Severino

Ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (DC) lançou as bases de sua pré-candidatura à Presidência da República ancorada no nacionalismo, na defesa da soberania, mas também no incentivo privado para custear o país, e em um afrouxamento de normas ambientais como forma de fazer com que o Brasil deixe de "patinar".

Filiado ao Democracia Cristã, Rebelo recebeu a equipe da Sputnik Brasil em sua casa, em São Paulo (SP), onde falou sobre diversos temas.

Ele fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à política ambiental, à educação básica, à segurança pública e à agenda climática internacional, ao mesmo tempo em que defendeu uma anistia ampla e irrestrita — referenciando os condenados pelo 8 de Janeiro —, como instrumento histórico de reconciliação nacional.

Temas sociais

Rebelo afirmou que a saúde pública brasileira vive um "drama" estrutural. Segundo ele, embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha sido concebido como um modelo avançado de acesso universal, a distância entre a teoria e a prática produz sofrimento generalizado.

"A saúde pública é um dos grandes dramas da vida contemporânea do Brasil, porque nós temos um sistema que em teoria é um sistema muito avançado."

Para ele, a demora no atendimento, especialmente em casos graves, transforma filas em risco de morte. "Entre a descoberta do problema pelo clínico geral e a consulta com o especialista, muitas vezes podem transcorrer semanas ou meses", afirmou, acrescentando que o mesmo ocorre até a realização de cirurgias, o que classificou como "quase uma sentença de morte".

Na educação, o diagnóstico foi de que "a educação básica no Brasil é um vexame, é uma vergonha para o país", afirmou.

Rebelo comparou o desempenho brasileiro a países mais pobres ou que passaram por guerras recentes e disse ter a impressão de que a alfabetização em escolas rurais nos anos 1960 era superior à atual.

Como solução, defendeu recolocar a educação como eixo central do Estado, com valorização da hierarquia, da disciplina e da autoridade do professor. "Colocar o professor como o elemento decisivo na aprendizagem e não como se fosse o empregado do aluno."

Sobre segurança pública, Rebelo afirmou que o principal problema do país é a violência do crime organizado, que, segundo ele, domina territórios e fronteiras. "O desafio principal é que a luta contra o crime organizado, contra a violência privada, seja enfrentada com monopólio da violência por parte do Estado."

Para isso, defendeu leis especiais e tratamento diferenciado para organizações criminosas.

"Você não pode tratar o crime organizado como trata um acidente de trânsito."

Economia

Rebelo questionou os indicadores oficiais de desemprego e afirmou que o país vive uma estagnação estrutural, inclusive tecendo críticas a políticas de assistencialismo. "O Brasil tem 90 milhões de pessoas que são alcançadas pela transferência de renda, por algum tipo de bolsa, de auxílio público."

"Uma parte dessas pessoas não procura mais emprego. Outra parte procura o trabalho informal porque não quer comprometer a transferência de renda com uma carteira assinada. A verdade é que o país está parado, crescendo a taxas sofríveis, a taxas minúsculas, como os economistas chamam, de voo de galinha, voo curto, voo baixo."

Entre os principais obstáculos ao crescimento, Rebelo citou diretamente o STF, órgãos ambientais e o sistema de licenciamento. "O primeiro obstáculo é o próprio Supremo Tribunal Federal", disse, ao mencionar decisões que, segundo ele, paralisam ferrovias, investimentos energéticos e projetos minerais.

Também criticou o Ibama e a Funai pela imprevisibilidade dos prazos de licenciamento. Para ele, o país precisa de um "choque de investimento privado", já que o Estado não dispõe de recursos suficientes para investir em áreas estratégicas como infraestrutura, ciência e tecnologia.

Rebelo também defendeu a abertura e a organização do investimento estrangeiro, desde que orientado por interesses nacionais. "O Brasil não pode bloquear o investimento externo", afirmou, acrescentando que o país deve oferecer garantias às multinacionais, mas direcionar os recursos para setores prioritários e para a transferência de tecnologia.

Internacionalização

No plano internacional, o pré-candidato criticou duramente a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém. Para ele, o encontro foi "coroado de fracasso" devido à ausência dos principais líderes globais. "O fracasso não foi do presidente Lula, o fracasso foi da agenda. Essa agenda não é mais a agenda do mundo", disse, argumentando que as grandes potências estão focadas em segurança alimentar, energética e mineral, inclusive mencionando a importância das terras raras.

Na área de defesa, Rebelo disse que a agenda foi negligenciada nos últimos anos e defendeu a reconstrução da capacidade militar do país. Lembrou sua passagem pelo Ministério da Defesa e voltou a propor a criação de uma segunda esquadra naval no Norte, além da ampliação da presença militar na Amazônia e nas fronteiras. "Um país que não tem segurança pública, também não tem segurança nacional."

Sobre a política externa, defendeu pragmatismo nas relações com o Mercosul e com a União Europeia, afirmando que o Brasil não deve aceitar acordos "a qualquer custo".

Criticou exigências ambientais europeias e disse que muitos países do bloco não cumprem regras semelhantes às impostas aos produtores brasileiros. Em relação ao BRICS, destacou o papel do grupo na defesa da soberania nacional, lembrando o veto de Rússia e China, em 2021, a uma resolução que poderia levar a Amazônia ao Conselho de Segurança da ONU.

'Brasil é o país da anistia'

Rebelo também dedicou parte da entrevista à defesa de uma anistia ampla como forma de pacificação política. "O Brasil é o país da anistia", afirmou, citando exemplos históricos que vão da Guerra dos Farrapos à redemocratização pós-ditadura militar.

Para ele, a anistia não é perdão, mas um instrumento para "deixar esse passivo para trás e cuidar do futuro". Segundo Rebelo, a medida deveria alcançar crimes associados tanto a governos passados quanto ao atual.

Ao falar de sua trajetória, Rebelo destacou a militância estudantil, os mandatos parlamentares e a atuação como ministro em diferentes pastas, afirmando que essa experiência o credencia à disputa presidencial.

Disse, mesmo que passando por vários partidos como PcdoB, MDB ou PSB, que seus valores são "inegociáveis": nacionalismo, redução das desigualdades, defesa da democracia e da liberdade.

Católico praticante, associou sua visão social à doutrina social da Igreja e afirmou sentir-se à vontade em um partido "modesto", o Democracia Cristã (DC), sem fundo partidário e sem vínculos com interesses econômicos.


Por Sputinik Brasil