Geral

Endividamento das famílias cresce, mas inadimplência recua em janeiro, aponta CNC

Pesquisa da CNC mostra aumento no percentual de famílias endividadas, mas ligeira queda na inadimplência no início de 2026.

06/02/2026
Endividamento das famílias cresce, mas inadimplência recua em janeiro, aponta CNC
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer na passagem de dezembro para janeiro, mas a inadimplência registrou leve recuo, conforme revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o levantamento, a proporção de famílias com dívidas passou de 78,9% em dezembro para 79,5% em janeiro, retornando ao pico histórico observado em outubro de 2025. No mesmo mês do ano anterior, o índice era de 76,1%.

De acordo com José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, o endividamento está diretamente relacionado à elevada taxa de juros no Brasil. "É fundamental priorizar o equilíbrio das contas públicas, para que a política monetária possa ser flexibilizada, aliviando a carga sobre consumidores e empresas", afirmou em nota oficial.

Já a fatia de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas com dívidas em atraso, apresentou ligeira queda, passando de 29,4% em dezembro para 29,3% em janeiro. Um ano antes, esse percentual era de 29,1%.

Por outro lado, o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso subiu de 12,6% para 12,7% no mesmo período, igualando o índice registrado em janeiro de 2025.

A pesquisa também indica que a média da renda mensal comprometida com dívidas aumentou de 29,5% em dezembro para 29,7% em janeiro.

Outro dado relevante é a percepção subjetiva das famílias: 16,1% dos consumidores se consideram "muito endividados", o maior patamar desde outubro de 2025, segundo a CNC.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a expectativa é de que o endividamento continue avançando no primeiro semestre de 2026, enquanto a inadimplência tende a diminuir, impulsionada pela possível redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "Nossa expectativa é de alívio no atual aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom. Essa percepção, unânime entre os analistas, tende a distensionar os juros na ponta aos consumidores já no segundo trimestre deste ano", avaliou Bentes em nota.