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Endividamento das famílias cresce, mas inadimplência recua em janeiro, aponta CNC
Pesquisa da CNC mostra aumento no percentual de famílias endividadas, mas ligeira queda na inadimplência no início de 2026.
O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer na passagem de dezembro para janeiro, mas a inadimplência registrou leve recuo, conforme revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o levantamento, a proporção de famílias com dívidas passou de 78,9% em dezembro para 79,5% em janeiro, retornando ao pico histórico observado em outubro de 2025. No mesmo mês do ano anterior, o índice era de 76,1%.
De acordo com José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, o endividamento está diretamente relacionado à elevada taxa de juros no Brasil. "É fundamental priorizar o equilíbrio das contas públicas, para que a política monetária possa ser flexibilizada, aliviando a carga sobre consumidores e empresas", afirmou em nota oficial.
Já a fatia de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas com dívidas em atraso, apresentou ligeira queda, passando de 29,4% em dezembro para 29,3% em janeiro. Um ano antes, esse percentual era de 29,1%.
Por outro lado, o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso subiu de 12,6% para 12,7% no mesmo período, igualando o índice registrado em janeiro de 2025.
A pesquisa também indica que a média da renda mensal comprometida com dívidas aumentou de 29,5% em dezembro para 29,7% em janeiro.
Outro dado relevante é a percepção subjetiva das famílias: 16,1% dos consumidores se consideram "muito endividados", o maior patamar desde outubro de 2025, segundo a CNC.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a expectativa é de que o endividamento continue avançando no primeiro semestre de 2026, enquanto a inadimplência tende a diminuir, impulsionada pela possível redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "Nossa expectativa é de alívio no atual aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom. Essa percepção, unânime entre os analistas, tende a distensionar os juros na ponta aos consumidores já no segundo trimestre deste ano", avaliou Bentes em nota.
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