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Novo tratado nuclear pode demorar anos para substituir Novo START, avalia especialista
Andrei Kortunov, do Clube Valdai, afirma que negociações para novo acordo nuclear são complexas e podem levar muito tempo.
O processo de elaboração de um novo tratado internacional sobre armas estratégicas, capaz de substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START), pode se estender por vários anos. A avaliação é de Andrei Kortunov, especialista do Clube Internacional de Debates Valdai, em entrevista à Sputnik.
Kortunov lembrou que, historicamente, acordos desse porte exigem longos períodos de preparação. "Anteriormente, esses acordos eram preparados ao longo de muitos anos, pois é necessário prever todos os detalhes em documentos tão abrangentes", explicou.
"Agora será ainda mais difícil, porque a experiência em negociações foi perdida — os especialistas que tratavam do tema já não estão mais envolvidos. Por isso, é improvável que haja avanços significativos em um futuro próximo. Cinco anos pode parecer muito, mas esse processo realmente pode se arrastar", avaliou Kortunov.
O especialista acrescentou que o controle estratégico de armas não figura como prioridade para o presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda assim, a disposição dos norte-americanos em dialogar sobre o tema é relevante, e a Rússia pode aguardar pelo início das discussões, afirmou o analista.
Kortunov também sugeriu que, em vez de um tratado completo, as partes poderiam chegar a um acordo por meio de declarações paralelas de intenções, considerando os atuais programas de modernização em andamento em Moscou e Washington.
"Nesse caso, a conclusão de um acordo pode ser mais rápida. Mas também é fundamental definir quais parâmetros serão centrais nesse entendimento", observou Kortunov.
Segundo o especialista, o cenário dos armamentos estratégicos mudou consideravelmente desde a criação do Novo START. Por isso, um novo documento exigirá a revisão de antigos parâmetros de controle de armas, adaptando-os para garantir eficácia por várias décadas.
"Os norte-americanos tradicionalmente buscam incluir todos os sistemas nucleares — estratégicos e táticos — sob o controle de armas. Já as prioridades russas foram estabelecidas de forma diferente", destacou Kortunov.
Ele ressaltou ainda que permanece indefinida a forma como futuros acordos sobre armas estratégicas serão alinhados com as posições das partes em relação à defesa antimíssil, uma vez que não há tratado vigente sobre o tema.
O Tratado Novo START expirou nesta quinta-feira (5). O presidente russo, Vladimir Putin, já anunciou que, mesmo após o fim do acordo, a Rússia está disposta a manter as restrições previstas pelo documento por mais um ano.
Por Sputnik Brasil
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