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'Estamos tirando do papel', diz ministra sobre projetos aprovados por Putin e Lula no âmbito tecnológico
Luciana Santos detalha avanços em parcerias tecnológicas entre Brasil e Rússia, com foco em autonomia e inovação no Sul Global.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou à Sputnik Brasil que Brasil e Rússia avançam para concretizar "os memorandos de entendimento que fizemos entre [o presidente russo, Vladimir] Putin e o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva]" nos últimos anos.
Segundo a ministra, os acordos já se traduzem em projetos em andamento e novas iniciativas em preparação, especialmente voltadas ao Sul Global.
Luciana Santos citou o encontro no Itamaraty entre o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o premiê russo, Mikhail Mishustin, destacando a longa história de cooperação entre os dois países.
"Na semana passada, uma equipe de especialistas russos visitou o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Foi uma troca de experiências e desenvolvimento em tecnologias quânticas, astrofísica e astropartículas, garantindo cooperação de alto nível para reduzir nossa curva de aprendizagem."
A ministra detalhou que a cooperação científica inclui chamadas públicas conjuntas, redes de pesquisa e projetos universitários entre instituições brasileiras e russas, além de parcerias nos setores espacial e nuclear.
Ela ressaltou que o Brasil busca reduzir dependências externas e ampliar sua autonomia tecnológica, contando também com o apoio de outros países do BRICS. Entre as parcerias, destacou a colaboração de universidades russas com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em pesquisas na Amazônia.
Na área espacial, a ministra mencionou a cooperação com a agência Roscosmos, e, no setor nuclear, com a Rosatom.
"Estamos construindo o nosso RMB, o reator multipropósito, para conquistar autonomia na produção de radioisótopos e até exportá-los. Essa cooperação é fundamental para garantir soberania e domínio tecnológico."
Luciana Santos destacou ainda a articulação do Brasil com Rússia, China e Índia em projetos como cabos submarinos para o Sul Global, além de satélites, inteligência artificial, segurança cibernética, semicondutores e plataformas digitais próprias.
Segundo ela, a estratégia visa fortalecer a soberania, reduzir vulnerabilidades externas e democratizar a comunicação.
"Estive no ano passado no 80º Dia da Vitória contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial, ao lado do presidente Lula, e participei da reunião bilateral com o presidente Putin, onde discutimos essas cooperações. Já há uma diversidade de ações em andamento. Não é só memorando de entendimento, estamos tirando do papel os acordos firmados entre Putin e Lula."
Ela também mencionou a dependência do Brasil em relação a big techs e à tecnologia Starlink, ressaltando a necessidade de investir em infraestrutura própria, como satélites de comunicação e plataformas digitais mais seguras.
"Nossa articulação no Sul Global é uma prioridade, sem deixar de lado a cooperação internacional ampla. O Brasil é um país aberto e defensor da paz."
Outro ponto abordado foi a mudança de rota tecnológica da Ceitec, empresa gaúcha, que agora foca no uso de carbeto de silício para produzir semicondutores automotivos.
A ministra informou que já foram destinados R$ 220 milhões para a aquisição de uma nova planta industrial, e que o governo trabalha para superar entraves orçamentários, já que a estatal depende do Tesouro.
Por Sputnik Brasil
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