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Dólar fecha em leve alta em meio a cenário global adverso para emergentes

Moeda americana encerra o dia cotada a R$ 5,25, com real mostrando resiliência diante de volatilidade internacional e dados fracos dos EUA.

05/02/2026
Dólar fecha em leve alta em meio a cenário global adverso para emergentes
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após oscilar ao longo do pregão, o dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (5) cotado a R$ 5,2535, com alta de 0,08%. O real voltou a se destacar entre as moedas emergentes, resistindo ao ambiente externo desfavorável, marcado pela valorização global do dólar, forte queda do petróleo, preocupações com o setor de tecnologia e indicadores fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Analistas ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, avaliam que a moeda brasileira segue beneficiada pela expectativa de continuidade do fluxo externo para a bolsa doméstica, que subiu na contramão dos mercados acionários em Nova York, além do amplo diferencial entre os juros internos e externos. Até o momento, fatores locais como a aprovação de propostas de aumento de gastos no Congresso e as indicações às diretorias do Banco Central têm tido influência limitada sobre a formação da taxa de câmbio.

O desempenho do dólar refletiu principalmente a dinâmica internacional. As máximas do dia, acima de R$ 5,28 e com pico de R$ 5,2883, ocorreram no início da tarde, durante o maior estresse nos mercados globais, quando o VIX — conhecido como índice do medo — avançou mais de 20%. Com a redução da aversão ao risco, a moeda americana perdeu força frente ao real, mas não chegou a se aproximar da mínima do dia (R$ 5,2353), registrada no fim da manhã.

Segundo Marco Antonio Mecchi, diretor de Investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, a "volatilidade institucional" nos Estados Unidos, impulsionada pelas oscilações do presidente Donald Trump, e a piora fiscal nos países desenvolvidos, têm enfraquecido o dólar e estimulado a diversificação global de ativos, beneficiando mercados emergentes.

"A tendência é de continuidade desse movimento de dólar mais fraco. Dias como este são oportunidades para entrar no real", afirma Mecchi, destacando que as moedas emergentes foram pressionadas nesta quinta-feira pela alta do VIX e pelo mau humor em Nova York, motivado por dados fracos do mercado de trabalho americano.

Mecchi acrescenta que, além do ambiente positivo para emergentes, o real conta com o diferencial entre juros internos e externos ajustado pela volatilidade cambial — o chamado carry sobre vol — bastante favorável.

"A taxa Selic deve cair até 12,5% ou 12%, patamar ainda elevado. A tendência estrutural é de apreciação do real. O dólar pode ficar abaixo de R$ 5,10 neste primeiro trimestre", projeta, ressaltando que o mercado, por ora, não atribui grande peso às questões fiscais, como o recente aumento de gastos aprovado pelo Congresso.

No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — operou em alta ao longo do dia, subindo cerca de 0,20% no fim da tarde, em torno de 97,800 pontos, após máxima de 97,915 pontos. A libra esterlina recuou cerca de 0,80% frente ao dólar, após o Banco da Inglaterra decidir manter a taxa básica em 3,75% em votação dividida. O Banco Central Europeu também manteve suas taxas inalteradas.

O principal indicador do dia, o relatório Jolts, mostrou que a abertura de vagas de trabalho nos EUA caiu para 6,5 milhões em dezembro, abaixo da expectativa de alta para 7,175 milhões. Os números de dezembro foram revisados para baixo, de 7,146 milhões para 6,928 milhões. Segundo monitoramento do CME Group, as chances de corte de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Federal Reserve em março subiram de cerca de 10% para pouco mais de 20% após a divulgação do relatório.