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Defesa apresenta vídeo para contestar autoria de agressão ao cão Orelha

Advogados mostram imagens do animal após horário do suposto ataque, enquanto Polícia Civil mantém indiciamento de adolescente.

05/02/2026
Defesa apresenta vídeo para contestar autoria de agressão ao cão Orelha
- Foto: Reprodução

Um vídeo divulgado pelos advogados de defesa do adolescente indiciado por maus-tratos contra o cão Orelha mostra o animal caminhando pelas ruas da Praia Brava, em Florianópolis, por volta das 7h do dia 4 de janeiro, após o horário em que a Polícia Civil afirma que a agressão teria ocorrido. Orelha morreu devido à gravidade dos ferimentos.

Segundo a Polícia Civil, o ataque ocorreu na madrugada do dia 4, aproximadamente às 5h30, na Praia Brava. Laudos da Polícia Científica apontam que o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por objeto rígido, como madeira ou garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária.

As investigações indicam que o adolescente saiu do condomínio às 5h25 e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga. Imagens de segurança registraram a movimentação. Já o vídeo apresentado pela defesa mostra o cão circulando após esse horário, porém sem detalhes visíveis do focinho, cabeça ou ferimentos. A defesa sustenta que a polícia não apresentou provas de que o adolescente foi o responsável pela agressão.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, confirmou que o cão nas imagens é Orelha, mas reforçou que ele não morreu imediatamente após o ataque. Moradores relataram ter visto o animal machucado ao longo do dia 4 de janeiro.

"Desde o início das investigações, depoimentos de testemunhas e do profissional que socorreu o animal no dia 5 confirmaram que a lesão evoluiu ao longo dos dias. O veterinário informou que não se tratava de uma lesão imediata", afirmou a delegada.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu as investigações na terça-feira, 3. Foram analisadas cerca de mil horas de filmagens, ouvidas 24 testemunhas e utilizado um software francês para apurar a localização do adolescente suspeito.

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes do adolescente, afirmaram em nota que as informações divulgadas são "elementos circunstanciais", que não constituem prova nem autorizam conclusões definitivas. A defesa também alegou que o caso está "politizado".

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). A polícia pediu a internação do adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunha.

Segundo a conclusão da investigação, o adolescente inicialmente alegou estar na piscina do condomínio no momento do crime, sem saber que a polícia possuía imagens de sua saída. Testemunhas e outras evidências também indicaram que ele estava fora do condomínio, conforme a Polícia Civil.