Geral
Brasil e Rússia firmam acordo em Brasília e avançam em pagamentos em moedas locais
Reunião de alto nível marca retomada da Comissão Brasil-Rússia após dez anos e projeta expansão do comércio bilateral
O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, participou nesta quinta-feira (5), no Palácio Itamaraty, em Brasília, da VIII Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN). O encontro, retomado após quase uma década, teve como foco ampliar o comércio bilateral e fortalecer mecanismos financeiros e logísticos entre os dois países.
Mishustin foi recebido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. A delegação russa incluiu ministros e representantes do alto escalão de Moscou, após uma série de encontros preparatórios.
Durante a reunião, Mishustin destacou que o Brasil é o principal parceiro econômico da Rússia na América Latina e ressaltou o avanço contínuo da cooperação bilateral, com novos projetos em diversas áreas.
Segundo o premiê russo, o comércio entre os países é impulsionado pelas exportações brasileiras de carne e café, enquanto a Rússia responde por cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil, contribuindo significativamente para a segurança alimentar nacional.
Mishustin também avaliou que a parceria pode se expandir diante das transformações globais, como a digitalização e a transição energética.
O primeiro-ministro russo defendeu o aumento do uso de moedas nacionais nas transações bilaterais. "O crescimento dos pagamentos em moedas locais, a ampliação da cooperação bancária e o desenvolvimento de corredores de transporte e cadeias logísticas são prioridades para a cooperação econômica entre Brasil e Rússia", afirmou.
Além dos aspectos econômicos, Mishustin ressaltou que a cooperação entre os dois países pode ter impacto global, especialmente com a atuação conjunta em fóruns internacionais e novos projetos bilaterais que reforcem a estabilidade mundial.
Do lado brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o comércio bilateral atingiu cerca de US$ 11 bilhões (R$ 57,9 bilhões) em 2025, valor considerado expressivo, mas ainda aquém do potencial das duas economias.
Para Alckmin, o desafio é "crescer com mais equilíbrio e valor agregado", ampliando a cooperação em áreas como agronegócio, energia, ciência, tecnologia, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.
Potencial de cooperação ainda não plenamente reconhecido
O ministro para Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov, também presente à reunião, afirmou a jornalistas que há um enorme potencial ainda não explorado na relação comercial entre Brasil e Rússia. "Nosso interesse é grande; temos muito a oferecer, e a principal tarefa agora é garantir o sucesso dos contatos de negócios", disse.
Reshetnikov ressaltou que o potencial de cooperação ainda não foi plenamente reconhecido, considerando a dimensão das duas economias e o tamanho do mercado consumidor.
Ele explicou que a CAN está estruturada em três seções e três rodadas de discussão, abrangendo temas gerais, cooperação industrial e distribuição de produtos industriais em ambos os países.
O ministro russo citou oportunidades em agroindústria, produtos minerais, tecnologia agrícola, indústria automotiva, setor farmacêutico e tecnologia da informação, incluindo segurança digital e internet.
Nos últimos anos, segundo Reshetnikov, houve aumento na distribuição de produtos de óleo para o mercado brasileiro, enquanto a Rússia ampliou a compra de produtos agrícolas, como café e carne.
Ele afirmou ainda que a diversificação da pauta comercial é uma das principais metas e que questões como logística, estabilização de fluxos comerciais e sistemas de pagamento estão sendo discutidas tanto no âmbito governamental quanto empresarial.
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