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Banco Master é acusado de descontar ilegalmente R$ 92 milhões de benefícios previdenciários

Vice-presidente da CPMI do INSS afirma que instituição financeira está no centro de esquema que prejudicou aposentados e pensionistas; comissão pede prorrogação das investigações.

05/02/2026
Banco Master é acusado de descontar ilegalmente R$ 92 milhões de benefícios previdenciários
Banco Master é investigado por descontos ilegais em benefícios de aposentados, aponta CPMI do INSS. - Foto: © Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), confirmou, no retorno dos trabalhos da comissão, que os parlamentares vão aprofundar as investigações sobre o suposto envolvimento do Banco Master em fraudes contra beneficiários da Previdência Social.

Segundo Duarte Jr., há indícios de que o Banco Master teria descontado de forma fraudulenta mais de R$ 92 milhões de benefícios de aposentados e pensionistas. O deputado defende ainda a criação de uma nova CPMI dedicada exclusivamente a apurar as irregularidades atribuídas ao banco.

Enquanto isso, representantes do governo federal, Congresso e Judiciário tentam articular um acordo para administrar as crises desencadeadas pelas investigações envolvendo o Banco Master, conforme noticiado pela imprensa nesta semana.

"Não vejo nenhum tipo de prejuízo em ter uma nova CPI ou uma nova CPMI para tratar, de forma detalhada, das fraudes e ilegalidades do Banco Master. No nosso caso, podemos avançar estritamente sobre essas fraudes relacionadas aos descontos previdenciários", afirmou Duarte em entrevista à Rádio Câmara.

O parlamentar destacou que os recursos desviados pertencem a pessoas em situação de vulnerabilidade. "Ou seja, utilizando dinheiro da Previdência, dinheiro de aposentados e pensionistas para realizar investimentos sem qualquer autorização, colocando em risco os recursos que já são poucos desses consumidores", declarou.

Sobre o depoimento do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estava inicialmente marcado para esta quinta-feira e foi adiado para 26 de fevereiro a pedido da defesa, Duarte Jr. afirmou que o adiamento não traz prejuízos à investigação.

"Pelo contrário, é preferível buscar uma composição, permitir que ele compareça, fale e colabore, se assim entender, do que provocar a tentativa de ingresso com um habeas corpus para impedir seu comparecimento à comissão. Isso seria uma distorção do instrumento, mas infelizmente é algo que temos visto se repetir em casos recentes", pontuou.

'Avanços inéditos em pouco tempo'

Duarte Jr. ressaltou ainda que, em pouco mais de três meses de atuação, a CPMI já contribuiu para a prisão de mais de 20 pessoas envolvidas no esquema, incluindo um ex-ministro da Previdência, procuradores federais e parlamentares, entre deputados estaduais e senadores, que foram alvos de operações de busca e apreensão.

"O que a gente tem é uma constatação positiva. Eu não me recordo de uma CPMI que tenha conseguido avançar tanto e entregar tantos resultados efetivos à sociedade brasileira como a CPMI do INSS", avaliou o deputado.

Com o avanço das apurações, os parlamentares protocolaram requerimento para prorrogar os trabalhos da comissão por pelo menos mais 60 dias. Apesar do relatório final estar previsto para março, a extensão do prazo é considerada fundamental para aprofundar a segunda fase da investigação, que mira diretamente instituições financeiras.

Por Sputnik Brasil