Geral
Euro mais forte pode conter inflação além do previsto, afirma presidente do BCE
Christine Lagarde destaca impacto do câmbio na inflação e ressalta desafios globais para a economia do bloco europeu
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a valorização do euro pode contribuir para uma redução da inflação além do que atualmente é projetado. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 5, durante coletiva após a decisão do BCE de manter as taxas de juros inalteradas. Segundo Lagarde, desde março do ano passado, a moeda europeia vem se fortalecendo, mas destacou que a instituição não estabelece metas para a taxa de câmbio. "A faixa atual está muito alinhada com a média geral desde que o euro existe", explicou.
Lagarde ressaltou ainda que, para o euro desempenhar um papel internacional relevante, são necessários outros elementos, como um ambiente seguro e uma posição sólida frente ao cenário global, fatores que se desenvolvem ao longo do tempo.
Na coletiva, a presidente do BCE também apontou o aumento dos acordos comerciais como estratégia de apoio ao crescimento econômico, citando o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul como exemplo positivo.
Ela informou que o BCE avalia a possibilidade de abrir linhas de recompra para bancos centrais fora da zona do euro. Novidades sobre a reestruturação dessas linhas devem ser anunciadas "em alguns dias".
Lagarde alertou que as perspectivas para a inflação seguem mais incertas do que o habitual, embora os indicadores de inflação subjacente tenham apresentado poucas variações. Ela observou que os preços podem voltar a subir caso haja uma elevação persistente no setor de energia.
"O ambiente externo permanece desafiador. Estamos diante de um cenário político global instável e de um ambiente comercial pressionado por tarifas e pela valorização do euro. Um novo aumento nas incertezas pode impactar negativamente a demanda", avaliou Lagarde.
Por fim, a presidente reiterou que o BCE está em uma posição confortável, assim como a inflação. "Projetamos que a inflação alcance a meta de 2% no médio prazo. Há muito tempo estimamos uma inflação abaixo da meta para 2026", concluiu.
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