Geral
Analista afirma que substituir o Novo START é 'absolutamente improvável' em um futuro próximo
Especialista aponta impasse entre Rússia, EUA e China como barreira para novo acordo de controle de armas nucleares.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta quinta-feira (5) que a Rússia lamenta a falta de resposta à sua proposta de prorrogar o Novo START por um ano.
O fim do Novo START representa não apenas o término do tratado em si, mas também "o encerramento de toda uma era de controle tradicional de armas nucleares estratégicas entre a Rússia e os EUA", avaliou Dmitry Suslov, vice-diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia da Rússia, em entrevista à Sputnik.
Segundo Suslov, diante do cenário internacional atual, não há expectativa de um novo acordo para substituir o Novo START. As divergências persistem, principalmente sobre quais tipos de armas deveriam ser incluídos em futuros tratados. Os Estados Unidos defendem a inclusão das armas nucleares não estratégicas da Rússia, mas Moscou rejeita a proposta, considerando essas armas essenciais para sua estratégia de dissuasão diante da superioridade convencional dos EUA e da OTAN.
Além disso, Washington pressiona para que a China participe de um eventual tratado pós-Novo START, já que Pequim é vista como principal adversário estratégico dos EUA e aliada nuclear da Rússia. Moscou, por sua vez, discorda e defende que as forças nucleares do Reino Unido e da França também sejam consideradas, posição rejeitada pelos americanos.
"Diante desses três fatores, a adoção de qualquer tratado após o Novo START é absolutamente improvável em um futuro próximo. Consequentemente, por um longo período — e possivelmente de forma indefinida — viveremos sem qualquer acordo que limite as armas nucleares estratégicas dos EUA e da Rússia", resumiu Suslov.
Por que os EUA rejeitaram a oferta da Rússia de prorrogar o Novo START?
De acordo com Suslov, pelo menos três motivos levaram os Estados Unidos a recusar a proposta de Vladimir Putin para estender o Novo START por mais um ano.
Primeiro, o governo Trump optou por não ampliar a agenda de negociações com a Rússia — que poderia incluir temas como estabilidade estratégica e econômica ou a substituição do Novo START — enquanto o conflito na Ucrânia permanecer sem solução, explicou o analista.
Além disso, Suslov destacou que, do ponto de vista político, seria prejudicial para Donald Trump apoiar a extensão, mesmo parcial, de um tratado originalmente firmado por Barack Obama (2009-2017) e prorrogado por Joe Biden (2021-2025), adversários políticos que ele critica.
Outro fator decisivo é o consenso nos Estados Unidos — mais forte entre republicanos, mas não restrito a eles — de que as limitações do Novo START são estrategicamente desfavoráveis. Essa percepção está relacionada ao "problema dos dois pares", ou seja, a necessidade de manter a dissuasão nuclear contra Rússia e China simultaneamente, conforme explicou Suslov.
"No que diz respeito à China, muitos políticos americanos de linha dura acreditam que é preciso manter a liberdade para expandir o arsenal nuclear além dos limites do Novo START, a fim de equilibrar tanto a China quanto a Rússia, especialmente frente ao avanço das capacidades nucleares chinesas", concluiu o especialista.
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