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PF deflagra operação contra esquema de fraudes em financiamentos de veículos em Maceió

Grupo usava dados de terceiros e participação de correspondente bancário para obter carros financiados e revendê-los ilegalmente

Redação 05/02/2026
PF deflagra operação contra esquema de fraudes em financiamentos de veículos em Maceió
- Foto: Arquivo

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Alienação Simulada, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes na obtenção de financiamentos de veículos, praticadas por meio do uso indevido de dados pessoais de terceiros. A ação mira um esquema que causou prejuízos significativos ao sistema financeiro e operava de forma estruturada na capital alagoana.

Durante a operação, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal em Alagoas. As diligências ocorrem em endereços residenciais localizados em Maceió e têm como finalidade a coleta de provas que reforcem as investigações em andamento.

O inquérito policial teve início após a própria instituição financeira lesada comunicar à Polícia Federal a existência de irregularidades em contratos de financiamento de veículos. A partir disso, as apurações revelaram a atuação de uma associação criminosa que aplicava, de forma recorrente, o chamado “golpe do finan”.

De acordo com a investigação, o esquema consistia na obtenção fraudulenta de veículos financiados — muitas vezes sem entrada e em nome de pessoas que desconheciam completamente as operações — para posterior revenda imediata no mercado clandestino, por valores inferiores aos praticados oficialmente. Esses veículos, conhecidos como “de estouro”, passavam a circular de maneira irregular, enquanto as parcelas do financiamento jamais eram quitadas, impedindo a recuperação do bem pela instituição financeira.

As apurações apontam ainda a participação direta de um funcionário da própria instituição financeira, que atuava como correspondente bancário. Utilizando-se de acesso privilegiado aos sistemas internos, ele seria responsável por aprovar créditos fraudulentos em nome das vítimas.

Paralelamente, outros integrantes do grupo falsificavam documentos, criavam endereços de e-mail em nome das vítimas e utilizavam telefones pessoais para realizar assinaturas eletrônicas dos contratos. Após a liberação dos financiamentos, os veículos eram retirados em revendedoras e repassados a receptadores.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de envolvimento, pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude, associação criminosa, estelionato e receptação. Somadas, as penas máximas previstas para esses delitos podem ultrapassar 15 anos de reclusão.