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Letalidade policial cresce em 17 estados e expõe falhas no controle da violência

Relatório do Ministério da Justiça aponta aumento de 4,5% nas mortes causadas por policiais em 2025, com destaque para Norte e Nordeste.

05/02/2026
Letalidade policial cresce em 17 estados e expõe falhas no controle da violência
Ações policiais registram aumento de mortes em 17 estados brasileiros em 2025, segundo relatório do Ministério da Justiça. - Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O número de mortes provocadas por policiais aumentou em 17 estados brasileiros em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça. Foram registradas 6.519 vítimas no ano, o que representa um crescimento de 4,5% em relação a 2024 — uma média de 18 mortes por dia.

De acordo com estudo do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), divulgado pela Folha de S.Paulo, o avanço da violência policial atinge gestões de diferentes partidos e está concentrado, sobretudo, nas regiões Norte e Nordeste do país.

Segundo o levantamento, Rondônia apresentou o cenário mais crítico: as mortes em ações policiais saltaram de 8 para 47 em um ano, um aumento de 488%. O estado, governado por Marcos Rocha (PSD), lidera o ranking, seguido pelo Maranhão, com alta de 87%, e Rio Grande do Norte, com 51%. No Maranhão, os casos quase dobraram, passando de 76 para 142. No Rio Grande do Norte, subiram de 91 para 137.

A gestão do Rio Grande do Norte atribuiu o aumento à migração de criminosos do Sudeste para o Nordeste, o que teria intensificado disputas territoriais e confrontos armados. O governo também ressaltou a adesão ao programa federal de câmeras corporais, que prevê a entrega de 793 equipamentos a cidades com mais de 100 mil habitantes. Rondônia e Maranhão não se manifestaram.

A distribuição por partidos evidencia que o crescimento da letalidade policial atravessa diferentes espectros ideológicos. O PSD lidera em número de estados com aumento, mas PT, PL, União Brasil, Republicanos, PSB, Novo e MDB também governam unidades federativas onde os índices subiram. Em números absolutos, a Bahia permanece no topo, com 1.569 mortos em 2025, seguida por São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798).

Para Rafael Rocha, do Instituto Sou da Paz, o principal fator para o aumento é a falta de vontade política de governadores e secretários de segurança. Ele afirmou à Folha que discursos que legitimam o uso excessivo da força, aliados à tolerância institucional, estimulam práticas violentas. Rocha também criticou a atuação do Ministério Público, que, segundo ele, frequentemente deixa de exercer o controle externo da atividade policial.

O especialista destaca ainda que muitos governos evitam confrontar a Polícia Militar (PM), permitindo que a corporação mantenha autonomia excessiva sobre punições internas. Essa postura, segundo ele, contribui para a manutenção de padrões de violência e dificulta a responsabilização de agentes envolvidos em abusos.

Por outro lado, nove estados apresentaram queda na letalidade policial, com destaque para Tocantins, que reduziu os casos em 55%. Rio Grande do Sul e Roraima também tiveram recuos expressivos. O Distrito Federal manteve estabilidade, com 15 mortes tanto em 2024 quanto em 2025.

Ainda segundo a apuração, Isabel Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública, avalia que o aumento pode ser reflexo de dinâmicas mais amplas da criminalidade. Ela destaca iniciativas federais para conter a letalidade, como a ampliação do uso de câmeras corporais e o Projeto de Qualificação do Uso da Força, já adotado por 21 estados. Segundo Isabel, a resistência ao uso das câmeras diminui à medida que policiais percebem o equipamento como proteção, e não apenas como instrumento de controle.

Por Sputinik Brasil