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Afastamento dos EUA faz Europa reconhecer China como grande potência, aponta analista
Especialista avalia que mudanças na política externa dos EUA levaram a Europa a buscar novas parcerias e a reconhecer o peso estratégico da China.
Analista destaca que o reposicionamento dos Estados Unidos no cenário internacional impulsionou líderes europeus a recalibrarem suas políticas em relação à China e à Ásia, em busca de diversificação de parcerias e maior autonomia geopolítica.
A postura mais agressiva da política externa dos EUA tem provocado mudanças significativas na geopolítica mundial. Um dos reflexos mais evidentes é o recente degelo nas relações entre a União Europeia (UE) e países asiáticos, especialmente a China.
Em visita recente a Pequim, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tornou-se o primeiro líder do Reino Unido a ir à China em oito anos. Starmer se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, para celebrar a retomada das relações bilaterais e firmar novos acordos econômicos. Segundo o premiê britânico, a aproximação visa promover a estabilidade global "em tempos desafiadores para o mundo".
Simultaneamente, o Vietnã e a UE elevaram suas relações ao mais alto nível diplomático durante a visita do presidente do Conselho Europeu, António Costa, ao país asiático. A medida ocorreu apenas dois dias após a conclusão de um amplo acordo de livre comércio entre UE e Índia, negociado desde 2007.
A reaproximação entre UE e países asiáticos, porém, ainda enfrenta desafios, principalmente nas relações comerciais. Nesta quarta-feira (4), o Ministério das Relações Exteriores da China pediu que a UE "honre seu compromisso com a abertura de mercado e a concorrência leal" e evite "abusar de instrumentos comerciais unilaterais" em sua política externa.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Carolina Pavese, doutora em relações internacionais pela London School of Economics, afirma que a histórica aliança transatlântica, consolidada após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se uma relação de interdependência assimétrica, com a Europa em posição mais vulnerável.
Diante desse cenário, cresce a necessidade europeia de diversificar parcerias, não só para fortalecer o continente internamente, mas também para "resgatar-se de um declínio que já vem há algum tempo na política internacional".
"As tentativas de reaproximação com parceiros na Ásia sinalizam uma mudança de estratégia, em que antigos rivais passam a ser potenciais aliados na diversificação da política externa e das alianças da Europa."
Apesar do movimento, Pavese avalia que essa reaproximação, impulsionada por interesses comerciais, dificilmente substituirá a parceria com Washington, que segue sendo o principal aliado europeu.
A especialista ressalta que a segurança ainda é um ponto de tensão nessas novas relações. Por isso, o pragmatismo europeu na aproximação com a Ásia é acompanhado de cautela.
"Não há, pelo menos no atual contexto geopolítico, sinais de que a Europa consiga alcançar independência e autonomia em segurança, ou diversificar essa dependência apostando em parcerias militares e de defesa com outros países."
Segundo Pavese, ainda não houve uma mudança significativa na percepção europeia sobre a China, vista como grande rival comercial e tecnológico, especialmente no acesso a recursos estratégicos.
Por um lado, a política "unilateral, isolacionista e pouco ortodoxa" da Casa Branca acelera mudanças na ordem internacional, levando antigos aliados do Ocidente a repensarem seu posicionamento. Por outro, a aproximação europeia com Pequim indica que o continente começa a perceber as vantagens de estar ao lado da China, tanto em termos econômicos quanto de influência global.
"Esse movimento da Europa sinaliza o reconhecimento de que a China é uma grande potência — e, em muitos aspectos, é melhor tê-la por perto e aproveitar."
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