Geral
Fictor registra saques de 70% dos recursos após tentativa de compra do Master e decisão do BC
Grupo atribui crise de liquidez à oferta pelo Banco Master e à liquidação decretada pelo Banco Central. Pedido de recuperação judicial busca reestruturar dívidas superiores a R$ 4 bilhões.
O Grupo Fictor atribuiu o pedido de recuperação judicial (RJ), protocolado no domingo, 1º de fevereiro, a uma crise de liquidez desencadeada após anunciar a intenção de adquirir o Banco Master em parceria com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados. No dia seguinte ao anúncio, em 18 de novembro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master, agravando a crise de confiança que já afetava a instituição e atingindo também a Fictor.
Segundo Carlos Deneszczuk, advogado que coordena o processo de RJ pela Fictor, desde então, clientes do grupo solicitaram a retirada de 70% dos recursos investidos, o que corresponde a quase R$ 2 bilhões.
O pedido de recuperação judicial abrange as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, que acumulam dívidas superiores a R$ 4 bilhões. A empresa afirmou que pretende quitar os débitos sem descontos, com previsão de reembolso em até cinco anos.
A Fictor captava recursos e estruturava Sociedades em Conta de Participação (SCP) para investir em negócios e empresas. A crise de liquidez, segundo o advogado, comprometeu o pagamento de dividendos aos sócios desses arranjos. Não há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esse tipo de investimento.
"A ideia da empresa é não prejudicar os credores. Até novembro, não havia ocorrido nenhum problema de pagamentos", declarou Deneszczuk ao Estadão.
A expectativa é que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) defira o pedido de recuperação judicial em uma semana, caso o cronograma do grupo seja mantido.
A reestruturação foi solicitada por um investidor internacional, a Royal Capital, que integraria o consórcio interessado na compra do Banco Master junto à Fictor.
TJ-SP determina bloqueio cautelar de ativos antes da recuperação judicial
Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor. A decisão, da 30ª Câmara de Direito Privado, visa preservar uma garantia financeira prevista em contrato de operação de cartões de crédito empresariais com a Orbitall, responsável pelo processamento dos cartões American Express. A medida foi adotada após recurso que reverteu decisão anterior contrária ao bloqueio.
Em 2024, o Grupo Fictor ingressou no setor de pagamentos com a criação da Fictor Pay, inicialmente uma subadquirente de serviços de tecnologia e maquininhas de cartão. No ano seguinte, lançou um cartão de crédito com bandeira American Express para pessoas jurídicas.
De acordo com o pedido de recuperação judicial, o cartão chegou a movimentar R$ 200 milhões por mês. O plano previa ainda o lançamento de um cartão para pessoa física. Atualmente, a Fictor Pay atua em nove estados, atende 500 clientes e já movimentou R$ 2,2 bilhões em seus terminais.
Mais lidas
-
1TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
2ABONO SALARIAL
PIS/Pasep 2026: confira o calendário de pagamentos e saiba quem tem direito ao benefício
-
3SERVIÇO
IPVA 2026 RJ: confira o calendário de vencimentos por final de placa
-
4ECONOMIA
Vencimento do IPVA 2026 começa para veículos com placas de final 0 no Rio
-
5TRIBUTOS MUNICIPAIS
Prefeitura do Rio começa a enviar guias do IPTU 2026; primeira cota vence em fevereiro